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sexta-feira, abril 11, 2014

SP - Scanner de voz e curso online de Libras são oferecidos para alunos com deficiência


Equipamentos pedagógicos estão expostos em feira internacional de inclusão em São Paulo

Pioneira no processo de inclusão escolar, a Educação paulista conta com uma série de materiais e salas de recursos para atender os 62,5 mil alunos com algum tipo de deficiência matriculados na rede estadual. Com auxílio do Centro de Apoio Pedagógico Especializado (CAPE), os estudantes têm acesso ao currículo regular por meio de ferramentas como o scanner de voz, que transforma todo conteúdo de texto em áudio, e o curso de inglês online e acessível.

Parte desse material, indispensável na rotina dos alunos tanto nas classes comuns como nas 1.770 salas de recurso multifuncionais, faz parte do stand do Governo de São Paulo na III Feira Internacional de Reabilitação, Inclusão, Acessibilidade e Paradesporto (ReaTech). O evento vai até o próximo domingo, dia 13 de abril, em São Paulo.

Além do scanner de voz, as salas de recurso são equipadas com impressoras para ampliação de livros e máquinas de Braille. Nas classes, os alunos têm à disposição computadores com softwares adequados e o caderno do aluno impresso em Braille e em fonte ampliada. Com esse suporte físico e acompanhamento dos educadores da rede, os estudantes conquistam a autonomia e têm garantidos o direito à educação.

“O objetivo da Secretaria da Educação é criar uma cultura inclusiva. Por isso, trabalha em duas frentes: garantir a matrícula dos alunos e oferecer a eles um ensino de qualidade. Neste ano, por exemplo, participam de uma formação continuada 1.600 professores e gestores da rede.”, afirma o secretário da Educação, professor Herman Voorwald.

Quem for à feira também poderá conferir os cursos online elaborados pela Escola Virtual de Programas Educacionais do Estado de São Paulo (EVESP). As aulas de inglês para estudantes com deficiência visual e auditiva oferecem mais de 40 filmes para o ensino do idioma. Os conteúdos podem ser acessados da própria casa do aluno e também nas salas do Acessa Escola, onde todas as máquinas possuem um software leitor de tela que permite que usuários cegos ou com baixa visão utilizem os computadores.

Já o curso de Libras Online, para surdos e ouvintes, reproduz com ajuda de avatares em 3D situações do cotidiano - como passeio em shoppings, aulas de educação física, festas - e auxiliam o aprendizado dos participantes. Em 2013, mais de 4 mil alunos se inscreveram no programa.
 
FONTE: SEESP

domingo, abril 15, 2012

Mercado de produtos para pessoa com deficiência deve crescer 20% neste ano

da VEJA

Bens e serviços de tecnologia assistiva movimentaram R$ 1,5 bi no país em 2011; perspectiva é favorável, sobretudo, por apoio de novas linhas de crédito

Anna Carolina Rodrigues

O Brasil acostumou-se nos últimos anos a notícias sobre a pujança da economia doméstica. Dentre tantos setores beneficiados um se destaca pelo fato de que seu avanço é sinônimo de inclusão e melhoria da qualidade de vida de uma enorme população que, há décadas, esteve marginalizada: as pessoas com deficiência (PcD). O mercado de bens e serviços de tecnologia assistiva – voltado não apenas ao público que nasceu ou adquiriu ao longo da vida algum problema físico, visual, auditivo, etc, mas também ao crescente número de idosos no país – movimentou cerca de 1,5 bilhão de reais em 2011. A projeção em 2012 é de elevação de 20% do faturamento. Os dados são do Grupo Cipa Fiera Milano, organizador da XI Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech), que acontece até este final de semana em São Paulo. Com 300 expositores, a estimativa é que 48.000 pessoas passem pelos estandes do Centro de Exposições Imigrantes nos quatro dias de evento.
O crescimento do mercado de tecnologia assistiva deve-se a uma conjunção de fatores: desde a melhoria geral do ambiente econômico, passando pelo aumento do emprego das pessoas com deficiência, até a oferta de crédito especial por alguns bancos. Há ainda grande expectativa no setor em 2012 com o impacto do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Viver sem Limite), lançado em novembro pelo governo federal. No Brasil, segundo dados preliminares do Censo de 2010, existem cerca de 45 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 23% da população.
Automóveis – O segmento de automóveis é um dos que mais tem se beneficiado com o interesse das pessoas com deficiência. Do total movimentado pelo mercado de produtos de tecnologia assistiva no ano passado, cerca de 800 milhões de reais originaram-se apenas da compra e adaptação de veículos. Além do desejo natural de conquistar independência de locomoção, as vendas são favorecidas por preços mais convidativos. Afinal, as PcD’s podem comprar carros com isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
A Cavenaghi – empresa do ramo de adaptações veiculares, que possui duas lojas e 40 concessionárias autorizadas no Brasil – prevê expansão de 20% no faturamento neste ano. Hoje a companhia adapta e transforma anualmente cerca de 5.000 carros. Cada consumidor gasta entre 800 e 6.000 reais em produtos da linha de direção, por exemplo. “O mercado está sofrendo muita mudança, principalmente graças à Lei de Cotas. Quando essas pessoas entram no mercado de trabalho, elas começam a ser remuneradas e a consumir”, diz Monica Cavenaghi, diretora comercial da empresa, que planeja abrir mais seis lojas até o final do ano em cidades-sede da Copa do Mundo. Criada em 1991 e regulamentada em 1999, a lei determina que empresas com mais de 100 colaboradores têm de incluir homens e mulheres com deficiência em seus quadros de profissionais. Do total de pessoas nesta condição no país, cerca de 11 milhões têm capacidade laboral, segundo estimativas do Ministério do Trabalho (MTE).
Estrangeiras de olho – Diante da perspectiva de crescimento bastante limitado dos mercados tradicionais de bens e serviços para PcD’s, como a Europa e os Estados Unidos, algumas empresas estrangeiras começam a traçar projetos de longo prazo para países emergentes como o Brasil. A prestigiada alemã Otto Bock – presente no mercado doméstico há 37 anos como fornecedora de próteses – começou a trazer mais recentemente para o país cadeiras de rodas e órteses (estruturas que auxiliam na melhoria das funções do corpo) e já faz novos planos. “Estudamos a possibilidade de ter uma produção local com o objetivo de fazer produtos mais adequados ao perfil do brasileiro”, afirma Wilson Zampini, diretor da empresa na América Latina.
Enquanto não tem fábrica no país, a companhia reclama da demora para obter autorização de importação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo que, muitas vezes, seus produtos já possuam certificações europeias e americanas, a demora do órgão para liberar um bem que se almeja trazer do exterior pode levar de seis meses a um ano. Procurada pelo site de VEJA, a agência explica que a demora na aprovação geralmente ocorre pelo não cumprimento das exigências.
Programa governamental – Especialistas ouvidos pelo site de VEJA afirmam que o programa “Viver sem Limite” de 2011 coroa quase duas décadas de paulatino amadurecimento institucional em prol da inclusão plena da pessoa com deficiência na sociedade – e também na economia.  Com previsão orçamentária de 7,6 bilhões de reais até 2014, o plano inclui linhas de financiamento para empresas especializadas em tecnologia assistiva, crédito para o consumidor final com juros inferiores aos de mercado, compras governamentais para adequação de escolas e moradias populares, além do fortalecimento de ações de reabilitação.
As mudanças legais e econômicas nesta área são merecedoras de comemoração, mas ainda há muito a evoluir. “Os avanços são inegáveis, mas as condições de trabalho para as pessoas com deficiência, por exemplo, podem melhorar sobremaneira”, diz a consultora Carolina Ignara, da Talento Incluir, que ajuda empresas a contratar PcD’s. De acordo com ela, as principais dificuldades enfrentadas são a falta de cultura inclusiva no país, o reduzido entendimento sobre a Lei de Cotas e o déficit sociocultural da pessoa com deficiência. “Gestores despreparados pela cultura social, empresas contratando para cumprir cota e pessoas com deficiência sem saber seus direitos e deveres. Por isso, defendo que a inclusão deve investir em cultura. O entendimento leva ao respeito e aumenta as chances de sucesso”, completa.
Deficiência x renda – De acordo com o Relatório Mundial Sobre Deficiência, da Organização Mundial de Saúde (OMS), há uma prevalência maior de deficiência em países de renda baixa que em nações de rendimento mais elevado. Grosso modo, os mais pobres, desempregados e com baixa qualificação profissional estão expostos a um risco mais alto de se enquadrar também nesta condição. “É preciso entender a deficiência como um fator que se insere na relação entre a limitação funcional e o ambiente em que ela está inserida”, diz Luis Mauch, coordenador-geral da Mais Diferenças, organização da Sociedade Civil (OSCIP) especializada em educação e cultura inclusivas. Na avaliação dele, esse mercado ainda tem muito a se expandir no Brasil em comparação a economias mais maduras, como a Alemanha, por exemplo, que investiu muito em políticas e tecnologia para inserir pessoas com deficiência no pós-guerra. “Quanto mais adequado for o ambiente, melhores ficam as condições para as pessoas com deficiência. Entender isso gera oportunidades e é bom para a economia. Essas pessoas querem ser incluídas e cobradas”, acrescenta.
Impostos – Renato Laurenti, cadeirante há 28 anos e sócio da Comoir, empresa de e-commerce especializada em produtos para pessoas com deficiência, afirma que o poder público pode contribuir muito para esse mercado por meio da redução de impostos e desoneração da cadeia produtiva. Para ele, o número de empresas no mercado nacional ainda é restrito e, por isso, muitos artigos têm de ser importados. “Esse tipo de produto é prioritário, pois garante qualidade de vida e independência para essas pessoas, mas alguns ainda são muito caros”, diz. “Fico o dia inteiro sentado na minha cadeira. Se ela não for bem feita, com boa almofada, não aguento ficar. As cadeiras nacionais vêm melhorando, mas ainda não se comparam com as importadas em atributos como peso, conforto e mobilidade”, lamenta.
O empresário Vitor Hugo Silveira, da Altra Importação & Exportação, que traz do exterior produtos de uso diário, como talheres e alcançadores, concorda que a tributação é um grande problema. “Alguns produtos que não têm sofisticação, mas que ajudam na rotina, como talheres, acabam taxados na mesma categoria de produtos normais”, explica. Um exemplo dado por ele é um prato com bordas mais altas e ventosas para prender na mesa. A empresa o compra da China por cerca de 7 reais (4 dólares) e é obrigada a revendê-lo por 42 reais no mercado interno. Vinte reais do preço total referem-se apenas à tributação.
A despeito de tantos problemas, cegos, surdos, pessoas com deficiência física, idosos com problemas de mobilidade, etc, conseguem viver melhor hoje que décadas atrás. A conquista é mérito de todos: legisladores, governos, entidades sociais, empresários e das próprias pessoas com deficiência. O futuro inspira esperança. Contudo, cabe ao poder público – municipal, estadual e federal – papel ainda mais destacado. Como muitos bens e serviços, pela combinação de oferta restrita e impostos altos, ainda têm preços proibitivos para a maioria da população com deficiência, os governos poderiam guardar parcela da exorbitante arrecadação de impostos para apoiar este grupo com políticas públicas. Na Europa, não é raro que um cadeirante vá a uma feira como a Reatech, escolha a cadeira de seus sonhos e volte para casa, onde redige o pedido para compra do equipamento a ser endereçado ao governante local. E o mais interessante é que ele é atendido. O Brasil ainda tem de avançar muito para chegar lá.

Crédito para pessoa com deficiência

Crédito para pessoas com deficiência Em janeiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou a possibilidade de empréstimos de microcrédito serem utilizados para financiar bens e serviços para pessoas com deficiência. A linha é composta por uma fatia de 2% do dinheiro que os clientes depositam à vista nos bancos.
Em janeiro, esse montante superava 1 bilhão de reais. Segundo o CMN, as instituições poderão definir o quanto dessa linha será destinado a este tipo de crédito. Os empréstimos têm valor máximo de 30.000 reais e devem ter fins específicos, como aquisição de aparelhos, adaptação de veículos e reformas de imóveis. Ainda segundo o órgão, as taxas de juros devem ser menores que 2% ao mês.
Independentemente da determinação do CMN, alguns bancos já oferecem crédito específico para aquisição de produtos para pessoas com deficiência. HSBC, Bradesco e Santander possuem linhas de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para financiamento de equipamentos. Já o Itaú e a Caixa Econômica Federal (CEF) oferecem o produto por meio da política de microcrédito definida pelo CMN.
O Banco do Brasil, por sua vez, possui dois tipos de financiamento. O BB Crediário para Pessoas com Deficiência, que oferece até 50.000 reais parcelados em 36 vezes, e o BB Crédito Acessibilidade, com linha de até 30.000 reais e juros de 0,64% ao mês. Contudo, como os recursos provêm da mesma fonte do microcrédito, a renda mensal máxima dos tomadores desse tipo de empréstimo deve ser de dez salários mínimos.

sábado, abril 04, 2009

Feira em SP oferece 6.500 vagas para pessoas com deficiência


da Agência Brasil

Começou ontem (dia 02), em São Paulo, a terceira maior feira de inclusão, reabilitação e acessibilidade do mundo, a Reatech. O evento reúne empresas dispostas a contratar funcionários que tenham algum tipo de deficiência. Neste ano, serão oferecidas cerca de 6.500 mil vagas --em 2008, foram quase 8.000 postos, mas apenas 500 foram preenchidos.

Para o diretor da feira, Rodrigo Rosso, a falta de capacitação profissional dos trabalhadores com deficiência é o principal problema encontrado pelas empresas. Segundo ele, a demora na contratação se deve a esse motivo.

"Há vagas para todas as deficiências, mas é difícil encontrar um profissional que tenha aquele exato perfil", explicou.

Segundo ele, em geral, as pessoas com deficiência mental são contratadas como empacotadores em supermercados. Já os deficientes auditivos costumam conseguir vagas em linhas de montagem.

"Esta dependência do tipo de função relacionado com o tipo de deficiência é a que impede mais contratações. Os deficientes visuais são muito procurados para telemarketing", disse.

Para cumprir a lei de cotas, que determina que empresas com mais de cem funcionários devem reservar pelo menos 2% dos cargos para deficientes, algumas companhias procuram recrutar funcionários em feiras especializadas.

A psicóloga responsável pela reabilitação profissional da fundação Dorina Nowill, Tania Jung, afirmou que, além do telemarketing, os deficientes visuais também são procurados para trabalhar como massagistas. "Contratar portadores de deficiência não eleva os custos, as empresas precisam é oferecer recursos", afirmou.

Cega desde que nasceu, a revisora de braille Rita de Cássia Martins de Araújo teve dificuldades em conseguir seu primeiro emprego.

"Fiz cursos profissionalizantes para conseguir uma vaga." Depois de adquirir experiência, ela logo arrumou outro posto de trabalho. "Hoje não há nenhuma barreira para que eu não seja contratada porque tenho experiência. A única coisa que preciso é de um computador com software de voz", disse.

A supervisora de desenvolvimento de pessoas da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Maria Lúcia Narciso Russo, afirmou que é um desafio constante combinar o conhecimento e a habilidade de cada deficiente para um determinado cargo.

"Contratar deficientes não é apenas ocupar um espaço ou cumprir a lei e, sim, dar dignidade para um cidadão. Por isso temos muito cuidado para encontrar uma pessoa com o perfil da vaga, para que ele possa se sentir produtivo", disse.

Para Maria Lúcia, a falta de qualificação profissional não é a única questão: "Muitos não foram preparados emocionalmente, a família superprotegeu, achando que o portador nunca iria precisar trabalhar".

Segundo ela, para conseguir inserir o deficiente no quadro de funcionários, a PUC tem sido flexível em alguns casos. "Procuramos nos adaptar ao perfil do candidato", comentou.

FOLHA DE SÃO PAULO

03/04/2009

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