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terça-feira, outubro 28, 2014

O tema é... educação inclusiva

Especialista fala sobre a importância de incluir os alunos com deficiência
Psicólogo Luiz Henrique de Paula Conceição conversa com Sandra Annenberg 

É preciso dar oportunidade para todas as crianças, inclusive para aquelas que têm algum tipo de deficiência. Para falar sobre o tema, Sandra Annenberg recebeu no programa o psicólogo Luiz Henrique de Paula Conceição. O especialista explicou como promover uma educação que inclua os jovens deficientes e respondeu a perguntas de espectadores como a bancária Márcia Braune, mãe da Laura, que tem Síndrome de Down. (Assista ao vídeo na matéria)

– O colégio se diz inclusivo, mas, ao mesmo tempo, tenho que pagar por fora a mediadora e o colégio não faz nenhum tipo de adaptação curricular para ela, quem tem que fazer sou eu. O que faço nessa situação? – perguntou Márcia.

De acordo com o psicólogo, o procedimento do colégio é ilegal, e a sugestão é que a mãe procure o auxílio de um advogado ou do Ministério Público.

– Você não pode cobrar dos pais, da família das pessoas com deficiência, algum tipo de valor extra, isso tem que estar incorporado na escola. O segundo ponto que ela coloca, adaptação curricular, um termo muito utilizado até bem pouco tempo, essa adaptação seria buscar meios e modos para que essa estudante tenha acesso ao conteúdo. Adaptação curricular ficou muito conhecida como reduzir o currículo, não é essa a questão, a questão é que ela tenha acesso ao mesmo currículo que os outros, só que com alguns jeitos que ela entenda aquela disciplina – explicou o especialista.

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Pesquisadora utiliza a dança em crianças com paralisia cerebral

Dois meninos e quatro meninas melhoraram sua coordenação motora após sessões onde eram estimuladas a se movimentar de acordo com a música

Taís Guerino - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Estudo inédito do Instituto de Psicologia da UnB mostrou como a dança pode ajudar crianças com paralisia cerebral a melhorar seus movimentos. Em sua pesquisa de mestrado, a fisioterapeuta Elizabeth Maia estudou a evolução da capacidade motora de seis crianças, com idades entre 5 e 9 anos, a partir de sessões em que elas eram estimuladas a se mexer conforme a música.

“Em cada sessão, a criança era tirada da cadeira de rodas, trazida ao tatame e colocada no meu colo. Ao som de músicas infantis, eu dançava e o movimento do meu corpo estimulava movimentos no corpo dela. Fiz a análise do quanto este contato poderia promover ganho de equilíbrio e reações posturais na criança”, afirma. Segundo ela, a pesquisa teve por objetivo geral avaliar se os exercícios da dança de contato, aplicados à criança com paralisia cerebral, poderiam impactar na modificação e ampliação do seu repertório de mobilidade e de expressões cognitivas (atenção) e emocionais (satisfação e insatisfação) durante a atividade.

Duas vezes por semana, cada criança passava por uma sessão de 30 minutos em que eram realizados três exercícios básicos da dança de contato. Criada especificamente para o contexto do estudo, a dança compõe-se de exercícios que combinam ações de rolar, girar, subir, escorregar, aproximar e afastar, inclinar e retornar da inclinação, trazendo a brincadeira para o processo de estimulação das crianças com paralisia cerebral participantes da pesquisa.

Elizabeth explicou que o estudo fez a análise de 21 sessões, registrando em vídeo quatro delas. “Eu choro cada vez que assisto aos vídeos porque cada conquista das crianças é uma satisfação indescritível. Elas não têm oportunidade de experimentar o meio como uma criança sem limitações experimenta. Eu sentia os ganhos de interação das crianças principalmente através do olhar”, afirmou.

Especificamente, os exercícios puderam comparar os desempenhos cognitivos e motores com o auxílio de testes neuropsicológicos (testes Gross Motor Function Classification System (GMFCS - de mobilidade para determinar o nível de independência locomotora), Columbia Mental Maturity Scale (CMMS/Columbia – de raciocínio e maturidade mental) e Gross Motor Function Measure (GMFM - da função motora grossa) antes e após a intervenção da dança, além de acompanhar a evolução dos desempenhos dos participantes com paralisia cerebral através de um etograma (uma tabela de desempenho e análise) comportamental elaborado a partir das imagens coletadas nos vídeos.

BENEFÍCIOS - Foram percebidas modificações na atenção, com evolução no comportamento cognitivo; na motricidade, com a diminuição dos movimentos involuntários de membros superiores e inferiores; diminuição de movimentos incoordenados de cabeça, tronco e membros superiores; aumento de movimento coordenado de cabeça, tronco e membros superiores e inferiores. Em contrapartida, houve diminuição do movimento coordenado global, ou seja, a estimulação impactou o desenvolvimento de aspectos motores, cognitivos e interativos.

Segundo Elizabeth, os resultados da pesquisa indicaram que quanto maior o número de sessões, menor foi a falta de coordenação para cabeça, tronco e membros; maior foi a aquisição de controle motor e, consequentemente melhoraram funcionalidade e expressividade. "Os efeitos da intervenção Dança de Contato sobre os aspectos cognitivos, interativos e motores indicaram ser possível a utilização desta abordagem como instrumento de intervenção neuropsicológica”, explica.

Em outras palavras, se for levado em consideração que a intervenção totalizou um período de dois meses pode-se sugerir que as modificações dos padrões comportamentais se evidenciaram, não por ter havido maturação neural natural, mas sim, devido aos 53 estímulos recebidos. “Ao adquirir maior controle sobre os próprios movimentos e conquistar independência motora entre as unidades corporais dissociando cintura pélvica e escapular, controlando a mobilidade da cabeça ou controlando o movimento de membros superiores e inferiores, a criança se faz capaz de atribuir funções às unidades corporais”, argumentou a pesquisadora.

Elizabeth se envolveu com o tema quando conheceu o professor Sérgio Leme, do Instituto de Psicologia, em um congresso sobre paralisia cerebral. A partir desse contato, Sérgio a estimulou a se inscrever no mestrado em Neurociências do Comportamento e aprofundar o estudo. “Somos todos diferentes e precisamos respeitar as diferenças dos outros. Me senti envolvida o tempo todo. Acho que estou contribuindo e a alegria é imensa. Eu me sinto com o compromisso de continuar”, afirma a fisioterapeuta, formada também em dança contemporânea.

METODOLOGIA – A pesquisadora iniciou o estudo fazendo uma triagem a partir da observação de crianças da Escola Especial 2, em Brasília. Seis crianças com idade entre 5 e 9 anos (dois meninos e quatro meninas), foram as escolhidas para a pesquisa por apresentarem um diagnóstico clínico de encefalopatia crônica não progressiva da infância (chamada de paralisia cerebral, é uma desordem caracterizada por alteração do movimento por conseqüência de uma lesão não progressiva do cérebro ainda na fase de desenvolvimento) e quadro clínico de quadriplegia do tipo mista (com comprometimento nos quatro membros do corpo e alto déficit de cognição ou pouca capacidade de compreensão).

Elizabeth conversou com os pais das crianças, explicando como seria o estudo e colhendo informações sobre o comportamento em casa. Os responsáveis assinaram termo de consentimento e autorização do uso das imagens para eventos científicos e publicação em revistas, livros e artigos científicos. Ela resguardou o sigilo em relação a todos os participantes substituindo seus nomes por números (o nome dos participantes não foi divulgado).

Quanto às perspectivas para o futuro, Elizabeth pretende levar o conhecimento da pesquisa para as escolas. Seus atuais orientandos, alunos de Licenciatura em Dança, pelo Instituto Federal de Brasília (IFB), trabalham com o ensino especial. “Passo a linguagem adiante para esses professores poderem atuar sob este olhar sensível, nas escolas públicas. A meta é formar multiplicadores desta técnica, pois meu grande sonho é treinar pessoas para se chegar ao maior número possível de crianças”. Elizabeth destacou também que pretende fazer algo pela UnB, especialmente desenvolvendo um trabalho semelhante no Hospital Universitário da UnB (HUB).

TRAJETÓRIA – A bailarina Elizabeth Maia formou-se em dança contemporânea e terapia através da dança pela Faculdade Escola Angel Vianna, no Rio de Janeiro em 1992. Após contato com o bailarino tetraplégico norte-americano Bruce Cortes, Elizabeth tomou gosto pela causa da inclusão social e adotou-a em seus estudos já no início da carreira. Foi pioneira no Brasil na área de reabilitação hospitalar, implantando a dança na reabilitação de pacientes com comprometimentos neurológicos nos hospitais da Rede Sarah Kubitschek, em 1993.

Em seguida, graduou-se em fisioterapia e concluiu a especialização em fisioterapia neurofuncional pela Escola Superior de Ensino Helena Antipoff, da Sociedade Pestalozzi do Rio de Janeiro, em 2003. Elizabeth tem experiência na área de Fisioterapia Neurofuncional com ênfase em Educação Somática e experiência em dança contemporânea com ênfase em dançoterapia. Atua como docente no Instituto Federal de Brasília (IFB) no curso de Licenciatura em Dança.
 
Fonte: UnB

quarta-feira, outubro 24, 2012

SP - CAPE lança livro e DVD sobre deficiência física para a orientação de professores

DA SEESP

Nesta quarta-feira (24), o Centro de Apoio Pedagógico Especializado (CAPE) apresenta o livro e o DVD “Entendendo a Deficiência Física” para os educadores da rede. Em uma orientação técnica para cerca de 200 pessoas, a equipe do centro aborda questões presentes nos cinco capítulos da obra.

A programação do encontro, com início às 8h até às 17h, tem apresentações de Maria Elizabeth da Costa, diretora do Centro de Atendimento Especializado (CAESP) e de Newton Rezende, coordenador do CAPE. Entre os temas abordados, estão a paralisia cerebral e comunicação alternativa, recursos de acesso ao currículo, adequação postural, tecnologia assistiva na escola, além de estratégias para a utilização do livro e do DVD como ferramentas.

Participam da orientação técnica os supervisores, professores especializados na área da deficiência física e os professores coordenadores dos Núcleos Pedagógicos de Educação Especial das diretorias de ensino do Estado.

sábado, agosto 04, 2012

Em busca de igualdade, jovem com paralisia cerebral se forma no RS

do TERRA

Daniel Favero

Direto de Porto Alegre

Após lutar na Justiça para conseguir fazer a prova do Enem e ter que lidar durante toda a vida com sentimentos de pena e descrédito, o estudante Guilherme Finotti, 20 anos, portador de paralisia cerebral, conseguiu se formar em Sistemas para Internet pela Universidade Feevale. A Formatura ocorreu na sexta-feira à noite em Novo Hamburgo, distante 50 quilômetros de Porto Alegre, e marcou o final de uma das mais difíceis fases da vida do jovem, marcada pela busca de tratamento igualitário.

"Estou me sentindo muito feliz por mais uma etapa concluída, por estar me graduando em uma profissão que escolhi e pela qual sou totalmente apaixonado. Não foi fácil chegar até aqui. Qualquer PCD (pessoa com deficiência) que chega onde estou, com certeza, em algum momento sofreu preconceitos. No meu caso não foi diferente. O que não contávamos é que esse mal se faria presente quanto falamos do próprio MEC (Ministério da Educação)", disse Guilherme em entrevista por e-mail, na véspera de sua formatura.

Quando fala do MEC, Guilherme se refere ao processo que teve de impetrar na Justiça para conseguir fazer a prova do Enem usando seu computador com teclado e mouse adaptados. "Depois que foi para a promotoria e quando a mídia em massa entrou, eles abriram essa 'exceção'. Se fizeram a lei da inclusão e as escolas deram o suporte que a lei indicava, como é que o Ministério da Educação não daria?", questiona a mãe de Guilherme, Eunice, ao relatar as dificuldades que enfrentou enquanto batalhava pelos direitos do filho. "Eles diziam que para todas as mães os filhos são inteligentes. Mas eu argumentava que não era eu que estava dizendo, mas sim a escola, as notas dele", completa.

A nota de Guilherme foi tão boa que ele conseguiu uma bolsa na universidade, além de ter sido bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em um projeto no qual desenvolveu um software de diagnóstico para portadores de paralisia cerebral. No entanto, ele teve que se afastar da iniciativa no final do ano passado, quando foi contratado para trabalhar na Feevale.

"Apenas ando sobre uma cadeira de rodas e uso algumas adaptações que me ajudam em minhas atividades diárias, no resto, sou igual a você. Não me considero diferente de ninguém. Todos têm dificuldades, alguns mais visíveis, outros menos", afirma Guilherme.

A paralisia cerebral do formando foi provocada por complicações que o deixaram sem oxigenação durante o parto. Quando ele tinha pouco mais de 2 anos, os médicos perceberam que ele havia sofrido sequelas, mas, pouco tempo depois, descobriram que seu cognitivo havia ficado intacto, apesar da deficiência motora. "Ele tem dificuldade de falar, mas quem está próximo entende", diz a mãe, ao relatar que, apesar do filho optar pela independência, ainda precisa de ajuda dos pais. "Se eu apoiá-lo pelo ombro, ele consegue andar, mas ele prefere usar a cadeira elétrica para ser independente".

"É muito ruim ser visto como o coitadinho" 

Apesar das necessidades especiais, Guilherme sempre lutou para ter tratamento igualitário. Ele estudou em escola pública convencional, mas, ao invés de carregar um caderno, guardava o conteúdo em disquetes e pen drives. Ele conta, inclusive, que sua infância foi normal. "A cadeira de rodas nunca me impediu de aprontar com meus amigos, dentro e fora da escola".

O colégio em que estudou teve de implantar sistemas de informática, e os professores tiveram que aprender a usar o computador para acompanhar o jovem, que sempre se destacou nas ciências exatas. "É muito ruim ser visto como o incapaz, como o coitadinho, como o diferente, entre outros sentimentos que as pessoas, mesmo sem querer, passam", diz Guilherme.

O próximo passo é se aprofundar nos estudos em busca de uma carreira bem sucedida. "Pretendo me especializar muito mais em minha área, fazer cursos, ter uma carreira consolidada e bem sucedida, conhecer vários lugares", conta.

Eunice diz que aqueles que não conhecem a paralisia cerebral, acreditam que se trata de uma condição vegetativa e não imaginam ou não acreditam que essas pessoas sejam capazes de feitos como os de Guilherme. "Quase a totalidade das pessoas é assim, tem muita gente que não acredita", diz a mãe ao falar sobre as impressões que a notícia da formatura do filho causa nas pessoas.

"O Guilherme tem que matar um leão por dia, todo dia ele tem que provar que é capaz, que é igual aos outros. E as pessoas olham sempre com desconfiança", completa Eunice.

O sentimento da mãe hoje é o de dever cumprido. "É claro que você nunca está preparado para isso (ter um filho com necessidades especiais), é uma coisa que acontece, mas nunca se está preparado. No primeiro momento foi um choque, mas depois a reação foi de ir à luta, por isso optamos por não ter mais filhos, para que pudéssemos estar à disposição dele, para poder desenvolver ao máximo as capacidades dele, e hoje a gente diz que esse é um momento de glória".

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Professor cria ferramentas para estudantes especiais

Quinta-feira, 03 de dezembro de 2009 - 09:43
Com apenas um clique, crianças com paralisia cerebral conseguem se comunicar com computadores, graças a pequenos acionadores montados pelo professor Paulo de Aquino, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Os dispositivos foram desenvolvidos a pedido de professoras da Oficina Vivencial de Ajudas Técnicas para a Ação Educativa, que integra o Centro de Referência em Educação Especial do Instituto Helena Antipoff (IHA), no Rio de Janeiro.

Engenheiro elétrico, com mestrado e doutorado em engenharia elétrica, Aquino leciona para alunos de educação superior do instituto (antigo Cefet-RJ) desde 1984. A parceria com o IHA começou há cerca de quatro anos, com a montagem dos pequenos acionadores, mas não parou. Ele já elaborou diversos produtos, como brinquedos, acionadores diversos, comunicadores, mouses e teclados, para portadores de paralisia cerebral (PCs) atendidos pelo IHA.

Uma das preocupações do professor é desenvolver produtos semelhantes aos que existem no exterior, com preços mais baixos. “Trabalho constantemente com o IHA, quase sempre atendendo solicitações”, diz Aquino. “Temos feito pesquisas juntos, buscando personalizar cada instrumento, considerando a distinta capacidade de cada usuário. A ideia central é sempre fazê-las a baixo custo.”

O professor tem recebido pedidos de desenvolvimento de ferramentas provenientes de outras cidades e estados. “Gostaria de atender muitas outras pessoas, mas minhas disponibilidades de tempo e de laboratório são muito restritas”, explica. Para oferecer um atendimento melhor, Aquino pretende montar um laboratório de tecnologia assistiva, no qual possa trabalhar com uma equipe de alunos estagiários.

Desafio — De acordo com o professor, o atendimento a necessidades dos portadores de paralisia cerebral beneficia outras pessoas com deficiência. Ele já fez adaptações para portadores de baixa visão e tetraplegia e desenvolve um acionador por pequenos movimentos faciais — de olhos, testa e sobrancelhas. “Cada projeto é mais um desafio tecnológico”, destaca Aquino, que não cobra pelos equipamentos que desenvolve.

No instituto, ele ensina aos alunos da disciplina introdução à engenharia elétrica a elaborar um acionador. Os melhores projetos são encaminhados ao IHA. “Com isso, tento introduzir os jovens recém-chegados ao ensino superior no contexto social em que vivemos. O resultado tem sido excepcional.”

Fátima Schenini

Saiba mais no Portal do Professor
MEC

quinta-feira, novembro 12, 2009

Procuradoria move ação para que aluno com paralisia cerebral faça o Enem

Aluno de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, faria a prova usando o computador de uma faculdade

O Ministério Público Federal em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, entrou com um pedido para que seja antecipada a decisão da Justiça Federal para que um aluno portador de paralisia cerebral use um computador da faculdade Feevale para fazer a prova do Enem. A prova está marcada para os dias 5 e 6 de dezembro.

Guilherme Finotti, de 17 anos, cursou o ensino técnico em informática e, no final deste ano, vai se formar no ensino médio regular. Segundo o Ministério, o aluno foi vencedor do prêmio Destaque do 4º Salão UFRGS Jovem 2009, pelo desenvolvimento de um jogo de computador para crianças com paralisia cerebral.

Finotti estuda na Escola da Aplicação da Feevale, que adaptou dois computadores da faculdade para uso do aluno. A instituição se dispôs a fornecer o equipamento para que Finotti faça a prova do Enem. Foi proposta também que fossem retirados do computador programas como corretor ortográfico e calculadora, e que a máquina fosse lacrada até a realização do exame.

Segundo o Ministério, tal possibilidade não foi aceita pelo Inep - entidade organizadora do Enem -, com a alegação de que o próprio instituto é quem deveria fornecer o equipamento.

Ouro lado

O Inep, no entanto, afirma que o direito do aluno com paralisia cerebral fazer a prova está garantido. Segundo o órgão, os equipamentos necessários para que ele realize o exame vão estar disponíveis.



R7 RECORD

terça-feira, junho 16, 2009

Inclusão de crianças com paralisia cerebral é tema de pesquisa

Crianças com paralisia cerebral apresentam dificuldades motoras, mas têm total capacidade cognitiva. Para que frequentem a escola e acompanhem as disciplinas, elas precisam ser atendidas corretamente pelos professores e dispor de um mobiliário adequado. A inclusão de crianças com paralisia cerebral no ensino regular é tema de pesquisa desenvolvida pelas alunas Débora Campos, Mariane da Silva e Gisely de Souza, do 5º ano do curso de Terapia Ocupacional da Universidade do Estado do Pará (Uepa).

O estudo é desenvolvido em parceria com o Núcleo de Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta) da universidade e tem como objetivo avaliar as condições de inclusão dessas crianças em escolas públicas e privadas. "Percebemos que o desempenho das crianças não evoluía porque as escolas não estão preparadas para recebê-las. Os professores não sabem lidar com elas, pois não receberam suporte para atender crianças assim, e há poucas rampas e banheiros adaptados nas escolas", explica Mariane da Silva.

As pesquisadoras iniciaram as visitas em 14 escolas, onde acompanham os estudantes em sala de aula. A ideia é verificar quais crianças estão adaptadas ao ambiente escolar e quantos professores estão qualificados para trabalhar com alunos com paralisia cerebral. "O que falta ao professor é formação. Na graduação, eles não são formados para lidar com crianças assim. O que acontece é que, um dia, chegam na sala e há um aluno com paralisia cerebral entre os demais", detalha Mariane.

É necessário, segundo as estudantes, aproximar a criança do professor, estabelecer uma forma de comunicação eficiente e envolver os outros alunos para minimizar os preconceitos. Para isso, o Nedeta promove cursos de capacitação de docentes. "Se prepararmos o professor para desenvolver materiais, se ele souber montar um álbum de comunicação alternativa e outros recursos básicos para facilitar a inclusão, o aluno com paralisia cerebral consegue acompanhar os colegas", explica Ana Irene Alves, orientadora da pesquisa e coordenadora do Nedeta.

Além da comunicação, o ambiente das escolas também é um dos desafios enfrentados pelas crianças com paralisia. Nas análises preliminares, as pesquisadoras perceberam a falta de rampas de acesso para alunos cadeirantes e de banheiros adequados. "Em muitos deles, não é possível nem entrar com a cadeira de rodas", diz a professora Ana Irene. "Às vezes, até há banheiros adaptados, mas eles ficam trancados ou foram construídos longe demais das salas de aula", completa a aluna Mariane da Silva.

A paralisia cerebral é uma lesão causada, em geral, pela falta de oxigenação do cérebro. Os portadores de paralisia têm dificuldades motoras, mas possuem capacidade cognitiva normal. Mesmo assim, segundo Ana Irene Alves, ainda há preconceito. "Algumas dessas crianças não conseguem pegar um lápis e a maioria tem dificuldade para se comunicar. Por isso, elas são constantemente confundidas com deficientes mentais, mas, se estimuladas, podem aprender e interagir como qualquer um", explica.

Ericka Pinto - Uepa

Agência Pará de Notícias

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