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quarta-feira, março 08, 2017

Percepção musical em crianças pode predizer dificuldades de aprendizagem

Karina Toledo | Agência FAPESP – Um teste capaz de medir o grau de percepção musical em crianças de 6 a 13 anos foi desenvolvido por um grupo que reúne cientistas brasileiros, canadenses, norte-americanos e britânicos.

Os resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram divulgados em janeiro na revista Frontiers in Neuroscience.

“Nosso objetivo, no futuro, é tentar comprovar que essa ferramenta é eficaz para identificar crianças predispostas a apresentar dificuldades na aquisição da linguagem oral e escrita. Isso possibilitaria aos pais e professores realizar intervenções precoces”, contou Hugo Cogo Moreira, professor orientador da Pós-Graduação em Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do projeto.

Segundo o pesquisador, evidências da literatura científica sustentam a hipótese de que o grau de percepção musical da criança – isto é, a capacidade de perceber determinadas propriedades da música, como timbre, intensidade, melodia e ritmo – está correlacionado com sua habilidade para aprender a linguagem verbal, tanto oral como escrita.

“A música é uma forma de linguagem não verbal. E a linguagem verbal, por sua vez, tem componentes musicais. Envolve percepção de frequências diferentes de voz, entonação e padrão de métrica, entre outros fatores”, explicou Moreira.

A percepção musical, acrescentou o pesquisador, está diretamente ligada à consciência fonológica, que é a capacidade de segmentar o som das palavras nas suas menores partes – como nos exercícios que professores costumam fazer com crianças durante a alfabetização, nos quais se pede para manipular o som em sílabas (B + A = BA; C + A = CA; etc.).

“A consciência fonológica é uma habilidade básica que precede a leitura. Acredita-se em um efeito cascata: quanto maior a percepção musical, mais fácil seria perceber nuances nos sons e essa habilidade auxiliaria na apreensão de leitura de palavras isoladas. Logo, torna-se mais fácil desenvolver a leitura contextual, entender o que está escrito e isso impacta todo o desempenho acadêmico”, disse Moreira.

Na avaliação do pesquisador da Unifesp, a grande vantagem de usar a percepção musical como um preditor da habilidade de leitura e escrita é o fato de a percepção musical ser uma linguagem universal, que independe do idioma ou da cultura. A mesma metodologia, portanto, poderia ser aplicada em crianças de todo o mundo.

Fator-M

Insatisfeitos com os testes até então disponíveis para mensurar a percepção musical, o grupo coordenado por Moreira decidiu criar uma nova ferramenta capaz de avaliar a capacidade das crianças de notar variações em sete diferentes domínios musicais: timbre, métrica, escala, intensidade, contorno musical, duração e tom.

Para isso, foram produzidos e gravados diferentes e curtos excertos musicais em programas sofisticados de composição, com sons em alta qualidade e diferentes timbres musicais (inclusive sons ruidosos), abarcando a compreensão musical para além dos tradicionais sons do violino e piano disponíveis em outros testes.

Todos os estímulos sonoros são inéditos e foram compostos por Caio Giovaneti de Barros, aluno de doutorado do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (IA-Unesp) e primeiro autor do artigo.

Organizados em pares, esses estímulos sonoros formam ao todo 80 tarefas que desafiam as crianças a descobrir se cada par musical é semelhante ou apresenta variação em algum dos sete domínios.

Clique nos links a seguir para abrir os arquivos sonoros - formato .wav


“Os testes até então existentes usam diferentes combinações dos domínios musicais. Alguns incluem apenas três deles, como métrica, tom e ritmo. Outros misturam quatro ou cinco domínios. Mas, de maneira geral, a qualidade sonora dos estímulos musicais é ruim (arquivos MIDI). Além disso, muitos testes usam músicas conhecidas, como Parabéns a Você. Nós fizemos questão de desenvolver estímulos musicais completamente novos para que o histórico auditivo da criança não interferisse no resultado”, contou Moreira.

quarta-feira, novembro 05, 2014

MG - Parceria entre Magistra e site leva orientações sobre dislexia a educadores mineiros

Site dislexiabrasil.com.br será incorporado ao da Magistra

Na Semana da Dislexia, uma parceria da Secretaria de Estado de Educação pretende levar para os professores da rede mais informações sobre o distúrbio. O site Dislexia Brasil, que traz informações importantes sobre o transtorno de aprendizagem da leitura e escrita dos estudantes, agora tem seu conteúdo incorporado à página da Magistra.

O ambiente virtual oferece conteúdos básicos sobre o tema, formas de identificar o distúrbio e de adquirir técnicas para ensinar leitura, soletração e escrita até apontar como melhorar o ambiente escolar, fazendo com que os estudantes lidem com suas dificuldades específicas em concentração, memória e organização.

O site foi criado originalmente em 2008, na Bélgica. O conteúdo foi traduzido e adaptado pela professora do Departamento de Psicologia da UFMG Ângela Maria Vieira Pinheiro e sua equipe, e lançado em 2012.

Site traz informações importantes aos educadores: o que é a dislexia, como identificá-la e o que fazer em sala de aula no ensino desses estudantes.

Além de explicar o que é esse distúrbio que leva à dificuldade de aprendizagem, o site diz como o professor pode identificá-lo nos seus alunos. “O professor não pode dar um diagnóstico. O site o ensina a levantar suspeitas. Existem vários indicadores – por exemplo, problemas no processamento na linguagem falada, de concentração, de memórias de curto prazo, de sequenciação de informação. Então, os professores são levados a identificar e perceber os sinais que a criança tem risco de vir a desenvolver a dislexia”, destaca a professora Ângela.

Outra seção do site aborda como o professor pode ensinar essas crianças. Segundo a professora, a proposta é que os alunos com dificuldade aprendam junto com os demais alunos. “Antes, uma vez identificado o problema, tudo o que o professor achava que tinha que fazer era passar para o especialista. O nosso discurso é outro: você está na frente da sala de aula, nós queremos que você conheça a condição, que saiba ver os sinais de risco e que, depois que a criança foi encaminhada para um especialista, que ela vier com o diagnóstico, nós queremos que você, dentro de sala de aula, ensina essa criança de forma inclusiva. Um ensino que no final das contas vai ser bom para todo mundo”.

Outra seção do site é voltada para os pais, que, segundo a especialista, podem influenciar na alfabetização de seus filhos desde que a criança aprende a falar. Ela destaca que alguns métodos, como pedir para as crianças contarem histórias ou contar uma história e pedir a elas para recontarem, ajudam, já que envolvem o acesso da informação da memória de longo prazo, vocabulário e temporalidade (início, meio e fim).

Esses métodos podem ser usados na educação infantil, antes mesmo da alfabetização. “Isso é muito bom para os professores do ensino infantil. Muito tempo é perdido no ensino infantil com brincadeiras irrelevantes e você pode aproveitar aquele espaço para atividades que criam a base da aprendizagem da leitura e da escrita”.

O conteúdo do site também é importante para os educadores que atuam nos anos seguintes à alfabetização, até mesmo no ensino médio, já que algumas vezes a dislexia não é identificada quando o estudante está aprendendo a ler e escrever.

Para acessar o conteúdo do dislexiabrasil.com.br, o professor deve estar cadastrado no site. Acesse e confira.
 
FONTE: Secretaria da Educação de Minas Gerais

sexta-feira, agosto 31, 2012

Prevenção de distúrbio ajuda na alfabetização matemática, diz britânica

do G1

Para Karime Esmail, discalculia deve ser diagnosticada na infância.
Distúrbio neurológico prejudica a aprendizado em matemática.

Ana Carolina Moreno 

Do G1, em São Paulo

Não bastassem as dificuldades já conhecidas dos estudantes em aprender matemática - no Brasil estudos mostram que 57% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental não sabem o esperado para a idade deles - um distúrbio neurológico dificulta ainda mais o aprendizado desta disciplina: a discalculia. Especialista no assunto, a pesquisadora britânica Karime Esmail destaca que a falta de diagnóstico das dificuldades específicas de aprendizagem em matemática pode trazer prejuízos em longo prazo aos alunos.

Tão importante quanto aprender a ler e escrever no idioma nativo, a alfabetização matemática pode influir na autoestima da criança e ajudá-la no desenvolvimento escolar e na integração social, diz Karime. Professora universitária formada em engenharia química, começou a pesquisar as dificuldades de aprendizagem ao se envolver nos estudos dos próprios filhos.

"Sou uma mãe ambiciosa", explicou ela, que ajudou sua filha a se preparar para um exame de avaliação aplicado em todas as crianças do país na idade de 7 anos. "Muitas vezes os professores não têm como pegar exatamente onde o aluno tem dificuldade", afirmou. "Quando se descobre em que área ele vai pior, espera-se que ele recupere o atraso de vários anos."

Ela estima que, no Reino Unido, em média duas crianças por sala de aula sofram de dificuldades agudas em matemática. Na população total do país, 6% teriam um distúrbio conhecido como discalculia, que pode ser adquirida ou relacionada ao desenvolvimento. Quem sofre do distúrbio tem, entre outros, problemas com a conservação da memória matemática, reconhecimento dos valores das moedas e a diferenciação entre significados e medidas.

Um exemplo a comparação entre um bloco grande com o dígito 2 escrito ao lado de outro pequeno com o dígito 8 escrito. Ao ser perguntado sobre qual número é maior, quem tem esse sintoma vai apontar para o 2. Ao todo, a pesquisadora identificou 27 sintomas de dificuldades na aprendizagem, incluindo a ansiedade que faz com que o aluno tenha pouca confiança em si.

Ela alerta, porém, que a dificuldade pode ter diversas causas e não existe tratamento ou remédio, principalmente no caso de crianças. "Mas existem medidas preventivas para estimular a aprendizagem", afirma Karime. Na discalculia, o lado do cérebro responsável pelos códigos numéricos pode ter menos células e fazer menos conexões. Mas, segundo Karime, muitos pesquisadores têm estudado como o desenvolvimento dos neurônios é grande durante os seis primeiros anos de vida, e continua até os 14, dependendo das atividades que o estimulem, e como o cérebro aprende matemática.

Tecnologias aplicadas na sala de aula podem ajudar a contornar as dificuldades dos estudantes com desempenho abaixo da média. Karime lançou, em 2008, o programa Dynamo Math, que auxilia professores com planos de aula, jogos interativos e exercícios de reforço e avaliação abordando módulos específicos dos conteúdos mais básicos do currículo escolar britânico. Com 240 módulos de aulas individuais com 15 minutos de duração, o programa, em fase de tradução para o português, pode ser usado em crianças nos primeiros anos do ensino básico, inclusive alunos com necessidades especiais como o autismo.

Para ela, o esforço de diagnosticar e avaliar casos de dificuldade de aprendizagem deve ser conjunto entre pais e professores, e a intervenção deve ser individualizada. "É preciso tentar de todas as formas acender as conexões neurais. Todas as crianças devem saber somar. A questão é identificar as dificuldades e enfrentar o problema para cortá-lo na raiz", afirma Karime, que deu uma palestra na quinta-feira (30) para professores e gestores escolares no Cefac - Saúde e Educação, e participa, no sábado (1º), do Congresso Internacional da Saúde da Criança e o Adolescente, em São Paulo.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Crianças muito especiais

Alunos com dislexia costumam passar por situações constrangedoras até que seja detectado o problema que os impede de acompanhar a turma; com o tratamento adequado, eles podem aprimorar o rendimento na escola

Rayanne Portugal

Quando o jovem Bruno Mesquita, 10 anos, entrou para a Escola, familiares e professores ficaram preocupados com as dificuldades enfrentadas pelo garoto para manter a concentração nas aulas da turma de alfabetização, por seu comportamento inquieto e a o relacionamento distante com demais colegas.


Mesmo sabendo que o filho sempre foi uma criança esperta, a corretora de seguros Andreia Mesquita ficava impaciente com o grande tempo que Bruno gastava para fazer as tarefas da Escola e chegou a acreditar que o menino estivesse desenvolvendo algum problema de saúde.


“Procuramos os professores dele e fui encaminhada para uma fonoaudióloga. Foi então que conseguimos confirmar que ele não estava doente, mas sofrendo de dislexia”, lembra Andreia. A dislexia é um distúrbio de aprendizagem que causa dificuldades na leitura, na escrita e na soletração. O transtorno, na maioria dos casos, é identificado durante a infância e pode comprometer o desenvolvimento Escolar de crianças em período de alfabetização. 


Gerada por condições genéticas e hereditárias, a dislexia tem raízes no padrão neurológico e não está relacionada à alfabetização deficiente, a deficiências intelectuais ou à personalidade da criança. “O disléxico não pode ser rotulado como burro. Pelo contrário, a maioria desenvolve habilidades múltiplas”, explica Alice Sumihara, psicoterapeuta e fonoaudióloga especialista em Educação.


Segundo a profissional, o problema se resume à dificuldade de decodificar e absorver informações seriadas. “Para o disléxico, a leitura não segue o sentido linear como para quem lê regulamente. Não há regra, ‘começar da esquerda, terminar à direita’. O disléxico dá voltas no texto, não consegue decodificar as informações de forma organizada, tendo que traçar um caminho bem mais longo até compreender a informação”, afirma.


Normalmente, a criança com dislexia domina a linguagem com atraso, é propensa a trocar letras e fonemas na hora de falar e escrever, apresenta dificuldades para organizar sequências numéricas, diferenciar cores e memorizar músicas. 


Para diminuir o impacto de suas limitações, Bruno, aos 8 anos, mudou-se para uma Escola preparada para atender alunos com dificuldades de aprendizagem e deu início à psicoterapia e acompanhamento médico. “Foi um processo lento de tratamento que segue até hoje, para que ele conseguisse ler e se relacionar melhor com os colegas de sala”, conta Andreia.


Ao conhecer o problema do filho, ela lembra que se sentiu perdida e culpada pela pressão sobre Bruno. “Cheguei a crer que meu filho fosse menos inteligente e acabei duvidando de sua capacidade”, conta. “Hoje ele pede para ler, pede que eu compre seus gibis e livros favoritos. Há algum tempo, nem poderíamos imaginar esse tipo de atitude vindo dele, o que me deixa muito mais feliz e orgulhosa.” 


Descoberta

Desconfiada da grande dificuldade que o filho tinha de se relacionar com outras crianças e para desenvolver a fala aos 2 anos, a servidora pública Renata Livramento Freitas, 35, decidiu levar o pequeno Thiago, hoje com 9, a um profissional especializado. “Thiago falava com dificuldade, trocando sílabas e de forma embolada. A fonoaudióloga nos explicou que ainda era muito cedo para afirmar que ele tinha dislexia, mas que seu caso era de risco para o distúrbio”, explica.

Marilene Oliveira, especialista que acompanha o caso, explica que, para Thiago, o diagnóstico para confirmação da dislexia será fechado com o tempo. “Só é possível confirmar o problema em crianças que já estão em fase de alfabetização, já que a dislexia caracteriza-se pela falta de compreensão para informações escritas. Crianças com menos de 8 anos não recebem esse tipo de diagnóstico. São necessários vários meses e uma avaliação longa do histórico e da saúde do paciente, a fim de descartar qualquer outra possibilidade”, detalha.


Durante a fase de análise, são descartadas as doenças ligadas ao intelecto, problemas visuais e auditivos, entre outros. “Normalmente, o diagnóstico deve ser feito por equipe multidisciplinar, devendo a criança ser avaliada por um pediatra ou neuropediatra, psicólogo ou psicopedagogo, e fonoaudiólogo.” 


A mãe acredita que a descoberta precoce ajudou na evolução de Thiago: “Ele sabe que, de alguma forma, é diferente e que sempre terá que se esforçar mais que os outros. Acho que ele nem sabe o significado de dislexia, o que por um lado é bom: ele sabe que é normal, e sofre menos do que outras crianças com o mesmo problema”. Camila Hayashi, psicopedagoga especializada em distúrbios de aprendizagem, explica que o tratamento precoce auxilia o disléxico a chegar a uma idade adulta com menos dificuldades para conviver com suas limitações.


“Quanto menos tempo levar para descobrir o problema, menos a pessoa estará suscetível a dificuldades emocionais e ansiedade ligadas à pressão de reaprender a ver o mundo de significados ao seu redor”, avalia. 


Parceria

Neila Paim Dias, orientadora educacional do Colégio Ciman, explica que a participação da Escola é fundamental para diminuir as dificuldades vividas pelo estudante no ambiente das aulas e, por consequência, na vida pessoal.

“Esse aluno deve ser olhado de forma diferenciada. É um trabalho de dedicação, no qual o professor deve ter a preocupação principal de garantir que ele compreenda as explicações sem interferir na autonomia do aluno, questionando sobre as necessidades, ajudando-o a ler sempre que necessário.”


Ticiane Alencar, orientadora educacional do Centro de ensino médio Setor Leste, lembra que é importante enfatizar que o aluno não está sendo tratado de forma diferenciada porque é menos capaz.


“Cabe ao professor evitar rótulos para que essa transição até a alfabetização seja tranquila para a criança. As avaliações para esse aluno serão diferenciadas, exigirão muitas vezes o apoio de um ledor, e na sala de aula a dinâmica será diferente. Mas o aluno deve ter reafirmada, a todo momento, sua capacidade de aprimoramento contínuo.” 


Quando diagnosticada, a dislexia exige grande esforço, tanto da família quanto da Escola, para que o aluno se readapte à rotina Escolar e não perca a motivação para os estudos. “As crianças se sentem incapazes de realizar suas tarefas, sendo forçadas a lidar com medo, pressões e sentimentos de rejeição”, destaca Alice Sumihara.


“O pai deve estar atento ao que é feito na Escola. Bons médicos e profissionais da saúde, por outro lado, devem sair do trabalho feito no consultório e ajudar a orientar pais e professores, que às vezes estão despreparados para o desafio de ajudar a criança”. 


Algumas Escolas particulares do DF contam com equipes de orientação pedagógica preparadas para atender crianças com dificuldades de aprendizagem, como a dislexia. Além disso, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe) oferece cursos de inclusão, em que professores aprendem a reconhecer as diferenças dos alunos e a trabalhar a socialização e a aprendizagem.


Na rede pública de ensino, as Escolas são atendidas por equipes especializadas de apoio à aprendizagem, ligadas à Subsecretaria de Educação Básica da Secretaria de Educação, lotadas prioritariamente em Escolas de ensino infantil, fundamental e em centros de ensino especial. Escolas que não contam com acompanhamento fixo podem solicitar atendimento aos Núcleos de Monitoramento Pedagógico das regionais de ensino, que encaminharão as demandas às equipes especializadas. 


A Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape) oferece, em seus cursos para professores da rede pública, orientações técnicas para atendimento de alunos com deficit de aprendizagem. Profissionais interessados em cursos e orientações específicas também podem entrar em contato os coordenadores de formação da Eape. 


Dislexia

Algumas indicações
» Parentes próximos (até terceiro grau) que tenham dislexia
» Atraso na fala
» Troca de sílabas, dificuldade de diferenciar direita/esquerda, par/ímpar, informações sequenciais (como números e palavras), cores, dificuldade
em aprender músicas
» Falta de interesse por livros, desconcentração, dificuldade de socialização

Como ajudar
» Conteúdos da Escola devem ser revistos sempre, com ajuda do professor e com os pais
» Peça que a criança repita a ordem e o conteúdo com suas próprias palavras do que foi lido ou explicado, para estimular a memorização, grande aliada do disléxico
» Use material colorido e grande para aprendizado de letras e números
» Tenha paciência para que a criança cumpra suas tarefas, repetindo o comando se for necessário
» Encoraje a criança a solicitar ajuda e não ter vergonha de fazê-lo
» professores e amigos devem conhecer as limitações da criança e estimular seu aprendizado sem discriminação ou interferência em sua autonomia
» Enfatize as habilidades que a criança desenvolve em outras áreas
» Leia para seu filho, todos os dias, jornais e revistas de interesse
» Permita que use um apoio, como uma régua, para ler as linhas em sequência
» Encoraje a criança a deixar bilhetes ou avisos e a escrever cartinhas para amigos e familiares, sem se importar como isso será feito 
Fonte: Correio Braziliense (DF)

sexta-feira, novembro 12, 2010

Brasil terá fórum para defender que transtorno de aprendizagem não é doença

Sarah Fernandes

Trinta e três organizações sociais vão lançar, no próximo sábado (13/11), o Fórum sobre Medicalização na Sociedade, que trabalhará para reduzir o total de diagnósticos médicos de transtorno de aprendizagem e o uso de remédios para amenizá-los. A ideia é discutir quais características da estrutura escolar podem dificultar a aprendizagem.

O grupo de trabalho, que atuará em escala nacional, está sendo formulado e discutido no “I Seminário Internacional A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros Supostos Transtornos”. No evento, realizado entre 11 e 13 de novembro, em São Paulo (SP), aconteceram pelo menos duas Conferências para discutir e formular as diretrizes de trabalho do Fórum.


“Há uma tendência em considerar as dificuldades de aprendizagem como um problema orgânico do aluno, sem levar em conta que as políticas educacionais, as formas de gestão e o currículo podem contribuir para um desempenho aparentemente ruim”, disse a representante da Associação Brasileira de Psicologia Escola e Educacional, Marilene Proença, durante o Seminário.


A premissa do Fórum é defender o fim do uso de remédios nos supostos transtornos de aprendizagem (dislexia, hiperatividade e transtorno do déficit de atenção). Ele também trabalhará em prol do respeito à diversidade no processo de aprender, do direito à saúde e à educação pública, de acordo com a primeira versão do manifesto de lançamento, a ser modificada no evento.


Para isso, as organizações participantes – entre elas a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, o Sindicato dos Psicólogos de São Paulo e o Instituto Sedes Sapientiae — preveem produzir materiais de comunicação, incluir o tema no currículo dos cursos de graduação e acompanhar as políticas públicas para a área.


“Problemas sociais e políticos, que afligem a vida das pessoas, são artificialmente transformados em meras questões individuais, descontextualizadas das condições em que tais dificuldades são produzidas”, aponta a primeira versão do manifesto. A medicalização, segundo o documento, tem o papel de “ocultar violências físicas e psicológicas, transformando as vítimas em portadores de distúrbios em comportamento”.


No evento também foi anunciado um projeto de lei de São Paulo para criar o Dia Municipal de Luta contra a Medicalização, a ser comemorado anualmente, em 11 de novembro.

PORTAL APRENDIZ

quinta-feira, setembro 30, 2010

Discalculia, o mal de números

Dificuldade matemática pode não ser preguiça ou falta de vontade, mas disfunção neurológica

Mariana Lenharo


Imagine um jogo de futebol entre Corinthians e Guarani no Pacaembu. Quem entra no estádio é capaz de perceber claramente que a torcida do Timão é maioria nas arquibancadas. Mas saber distinguir qual é a maior ou a menor parcela do público pode não ser tão simples para quem tem discalculia, uma disfunção neurológica caracterizada pela dificuldade de resolver cálculos matemáticos e pela falta de noção de quantidades.

Na reta final do ano letivo, esse “mal dos números”, de difícil diagnóstico, pode estar por trás do desempenho ruim do estudante na matemática – a má performance escolar, porém, pode ser influenciada por inúmeros fatores. Para dimensionar a discalculia hoje no Brasil, o psicólogo Pedro Pinheiro Chagas, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais, coordena um estudo sobre a prevalência da disfunção no Brasil, cujos resultados serão divulgados em 2011.

“Ainda há poucas pesquisas sobre o tema no País, ao contrário do que ocorre com a dislexia (distúrbio relacionado à linguagem).”

Para o cientista político discalcúlico Alexandre Barros, de 68 anos, a dislexia é mais conhecida e tratada porque as pessoas vivem de palavras. “É mais fácil esconder a dificuldade com números do que com a linguagem”, diz.

Os sinais da discalculia variam conforme a idade (veja quadro acima), mas todos os portadores do distúrbio costumam sofrer nas aulas de matemática. Segundo a psicopedagoga Valéria de Andrade Cozzolino, da Associação Brasileira de Dislexia, o discalcúlico não consegue adquirir o conteúdo por mais que se esforce e, quando os pais e os professores demoram a perceber que as notas baixas não resultam de preguiça ou má vontade, as consequências podem ser graves. “As crianças sofrem, são rotuladas pelos professores de preguiçosas e isso afeta muito a autoestima”, diz.

Especialistas concordam que o diagnóstico do distúrbio é muito complexo e que depende da avaliação de uma equipe multidisciplinar. Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, explica que a discalculia é genética e acompanha o indivíduo durante toda a vida.

“Assim como o disléxico troca o ‘p’ pelo ‘d’, o discalcúlico troca o 39 pelo 93”, exemplifica Quézia.

Segundo o neurologista Luiz Celso Pereira Vilanova, professor da Universidade Federal de São Paulo, é comum que a discalculia esteja associada a outros distúrbios, como a dislexia e o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). “É mais raro ter apenas a dificuldade com os cálculos matemáticos. Estudos apontam a incidência de uma em cada 40 mil pessoas”, afirma.

Quando os professores ou os pais percebem que os tropeços da criança com relação aos números são maiores do que o comum, a recomendação é que se procure um profissional na área, como psicopedagogo ou neurologista. O tratamento, que varia de pessoa para pessoa, deve envolver o resgate da auto-estima do indivíduo. A psicopedagoga Valéria explica que, durante o tratamento, o aluno aprende a criar uma estratégia diferenciada para que ele construa seu próprio caminho de aprendizado.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
- Quanto mais cedo se descobre que uma criança tem a discalculia, mais facilmente ela aprenderá a lidar com o distúrbio. Por isso, é importante que professores e pais estejam atentos aos primeiros sinais e encaminhem o jovem a um especialista o quanto antes.

- A falta de conhecimento sobre a disfunção pode provocar sérios danos à autoestima do estudante. Além de recuperá-la, o tratamento prevê também a criação pelo aluno de uma estratégia diferenciada para que ele construa seu próprio caminho de aprendizado.

Ir mal em matemática vai além dos limites da discalculia


Pessoas que têm a disfunção neurológica caracterizada pela dificuldade de resolver cálculos matemáticos e pela falta de noção de quantidades

Mariana Lenharo - Jornal da Tarde

Independentemente da discalculia, a dificuldade com relação à matemática é disseminada no Brasil. A disciplina é uma das mais mal avaliadas no País e a disfunção neurológica, na maioria dos casos, não é a razão que explica o mau desempenho. “É cultural. As pessoas se sentem autorizadas a não entender a matemática porque há o mito de que é uma disciplina muito difícil”, diz a psicopedagoga Quézia Bombonatto.

Para os estudantes que estão na reta final do ano letivo e que continuam tropeçando nos números, os professores têm uma boa notícia: ainda dá para correr atrás do prejuízo. “O aluno tem que ter ciência de que a matemática requer tempo e esforço. Ele não vai aprender tudo de repente, mas ainda está em tempo”, diz a professora de matemática Simone Schiavinato, do Colégio Paulista, que indica a revisão diária de conteúdo para depois tirar as dúvidas com o professor. “Estudar matemática não é só ler a teoria, mas também resolver o máximo de exercícios”. Nessa mesma linha, a professora de matemática Yamara Regatieri, do Colégio Sion, recomenda que o jovem refaça em casa os exercícios da classe.

Se o problema com números for complexo, como na discalculia, o diagnóstico deve ser feito por um especialista e o tratamento é a médio ou longo prazo.

Fonte: Estadão.com.br

quarta-feira, março 18, 2009

Fonoaudiologia ajuda aprendizado nas escolas

É na escola que a criança vai aprender a ler, escrever, brincar e se relacionar melhor. E é lá, também, que os problemas de linguagem são percebidos mais claramente. Os professores são, geralmente, os primeiros a notar que o aluno pode ter alguma dificuldade de aprendizagem, pois estão atentos para identificar uma criança que tenha risco de apresentar algum transtorno da leitura ou da escrita, e em seguida buscar a orientação necessária com um fonoaudiólogo, por exemplo.

As melhores escolas possuem um trabalho conjunto com um fonoaudiólogo, que as orienta, além de fazer o acompanhamento terapêutico das crianças que necessitam de reabilitação, potencializando o aprendizado do aluno.

De acordo com o Instituto Liebentritt, especializado na reabilitação fonoaudiológica das dificuldades de aprendizagem e dislexia, o suporte à equipe da escola é essencial para o aprendizado e rendimento escolar do aluno que tem dificuldade de escrita como a dislexia, por exemplo, além da orientação aos pais e da reabilitação da criança ou do adolescente com dificuldades em ler e escrever.

Para a fonoaudióloga e coordenadora do Instituto, Edilene Liebentritt, o trabalho do fonoaudiólogo com a escola é importante para facilitar o aprendizado do aluno. “Esse procedimento fornece um suporte ao professor e ao aluno, possibilitando que o aprendizado aconteça da melhor maneira possível, independente de qualquer dificuldade com a escrita.

Não podemos esquecer que o aluno disléxico tem inteligência normal e plena capacidade de aprendizado, necessitando apenas de estratégias que minimizem o impacto de suas dificuldades com a escrita nas atividades escolares enquanto o processo de reabilitação se desenvolve. (Belém/ PA – Instituto Liebentritt)

Diário do Pará

terça-feira, novembro 04, 2008

Meninos têm mais distúrbios mentais

Risco de desenvolver problemas de aprendizagem, por exemplo, é quatro vezes maior, apontam estudos

Renata Cafardo

Meninos têm até quatro vezes mais risco do que meninas de desenvolver problemas emocionais, de aprendizagem na escola, de comportamento, além de distúrbios mentais. A constatação foi apresentada neste mês em Londres, em evento sobre educação para crianças com necessidades especiais. Segundo revisão da literatura científica, parte da culpa pelos problemas no desenvolvimento dos meninos vem da cultura e da sociedade modernas.

"Estamos empurrando nossos meninos para doenças como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou para ter dificuldades na alfabetização", diz a educadora inglesa Sue Palmer, que há anos pesquisa o desenvolvimento infantil. Autora de dois livros - ainda sem tradução no Brasil - que caracterizam a infância atual de "intoxicada", Sue adiantou resultados de suas pesquisas sobre diferenças de gênero no Special Needs London. O evento, promovido pela National Association for Special Education Needs (Nasen), reuniu milhares de professores do Reino Unido em palestras e numa feira de produtos para crianças com necessidades especiais.

As conclusões da especialista serão publicadas em maio em seu novo livro, 21st Century Boys (Meninos do Século 21). Segundo ela, as explicações sobre a maior prevalência das doenças em meninos começam nos aspectos evolutivos. O homem, responsável desde os primórdios pela caça e pelas estratégias, é um ser mais inclinado a uma personalidade sistemática. Já as mulheres, ocupadas em dar à luz e cuidar da criação dos filhos por séculos, tendem a ser mais empáticas.

Entre as pesquisas analisadas por Sue está um estudo da Universidade de Cambridge, publicado em 2003, que indica que essas diferenças estão também ligadas ao nível de testosterona. E que o homem - e seu tipo sistemático - tem mais dificuldade em se relacionar com as pessoas, expor suas emoções, o que leva a um vocabulário mais pobre. A pesquisa conclui que o autismo, doença que faz com que a pessoa se isole do mundo exterior, poderia ser caracterizado como "o cérebro masculino ao extremo".

"Na sociedade moderna, em que há cada vez menos comunicação entre pais e filhos, e cada vez mais interação com computadores e TVs, os homens acabam tendo mais dificuldades ainda", diz Sue. As propagandas e o marketing ajudam também, segundo ela, a trazer problemas para as crianças - e especialmente meninos - já que valorizam o individualismo e o consumismo.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) - caracterizado pela desatenção, impulsividade e hiperatividade - aparece quatro vezes mais em meninos, segundo a literatura científica. O mesmo ocorre com a dispraxia, doença que limita a coordenação motora. Outras pesquisas indicam que eles têm três vezes mais problemas em leitura e duas vezes mais transtornos emocionais.

Para Sue, computadores, videogames e televisão - que exercem mais fascínio sobre meninos - desde cedo têm grande influência nisso. "Deveríamos dar às crianças tempo para aprender a ler e escrever antes de começar a se envolver com isso", acredita. "As recompensas rápidas oferecidas pelos jogos de computador trabalham contra a concentração focada e uma gratificação mais demorada. O que torna mais difícil para os meninos desenvolver as habilidades necessárias para a leitura, por exemplo."

Segundo estatísticas do governo britânico, 10% das crianças do país têm algum tipo de doença mental, 6% delas têm os chamamos distúrbios de conduta, que incluem praticar o bullying na infância (atos de violência física ou psicológica contra colegas). Outras 4% delas têm distúrbios emocionais, como fobias, ansiedade e depressão. Os índices ingleses confirmam a maior prevalência entre meninos: enquanto 8% das meninas são identificadas com distúrbios mentais, a taxa entre eles é de 11%.

No Brasil, não há índices oficiais, mas pesquisas acadêmicas têm mostrado que a prevalência dessa doenças atinge 12% das crianças do País. Entre 3% e 5% delas sofreriam de TDAH. Segundo o diretor do serviço de psiquiatria da infância e adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Enio Roberto de Andrade, não há ainda uma explicação consensual sobre o fato de as doenças serem mais comuns em meninos. "Talvez o fato de serem mais impulsivos e agressivos acaba exacerbando algo natural", diz.

A pesquisadora da Universidade de Wales, no País de Gales, Amanda Kirby, especialista em distúrbios do desenvolvimento, acrescenta que também há mais dificuldades em identificar problemas em meninas. "Ela, muitas vezes, não age com hiperatividade, mas tem dificuldade de concentração, e isso é visto como algo comum, como uma "menina sonhadora"", diz.

Os distúrbios mentais são causados por mutações genéticas, mas podem ou não ser desenvolvidos ao longo da vida. Fatores associados à gravidez - como fumo ou má nutrição - e ao ambiente em que as crianças vivem são cruciais para o aparecimento ou não da doença.

Para Sue, além de manter as crianças o mais longe possível de computadores e TVs, é preciso focar a educação nos primeiros anos de vida em músicas, histórias e brincadeiras - principalmente em ambientes abertos e com outras crianças. "Os pais não precisam ficar com medo de que elas fiquem para trás em termos de tecnologia. Isso é intuitivo e a criança mais velha aprenderá facilmente."

A repórter viajou a convite do Consulado Geral Britânico/UK Trade and Investment

Estadão

02 de novembro de 2.008


quarta-feira, setembro 10, 2008

Educação especial: Ministra garante que todos os alunos estão sinalizados e contabilizados

Porto, 10 Set (Lusa) - A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, garantiu hoje que o seu ministério tem todos os alunos com necessidades especiais sinalizados, considerando "absurdo" um estudo da Universidade do Minho, recentemente divulgado.

O professor catedrático da Universidade do Minho, Miranda Correia, disse que mais de 100 mil alunos com necessidades especiais estão sem qualquer apoio pedagógico, situação que em muitos casos se transforma em "graves problemas de insucesso escolar".

Miranda Correia, que coordena a Área de Educação Especial da Universidade do Minho, chega aquele número baseando-se no facto de não existirem estudos efectivos do número de crianças com necessidades especiais e do Ministério da Educação apresentar uma estimativa "muito abaixo de qualquer estudo internacional".

Para o Ministério da Educação as crianças com necessidades especiais "rondam os 1,8 por cento".

"É um número totalmente abaixo de qualquer estudo internacional", sustenta Miranda Correia que defende situarem-se, entre os oito e os 12 por cento, os alunos que têm dificuldades de aprendizagem específicas.

Para o especialista, aquela diferença representa que mais de 100 mil alunos estão fora das contabilidades e apoios do Ministério da Educação.

"Entre 100 a 150 mil alunos com necessidades educativas especiais estão sem apoio", defende o catedrático para quem "metade diz respeito a dificuldades de aprendizagem específica, como a dislexia".

Maria de Lurdes Rodrigues considerou que o estudo "não tem nenhuma relação com a realidade".

"O ministério tem todos os alunos sinalizados, todos os alunos contabilizados", assegurou.

A ministra quantificou em 55 mil os alunos que estão sinalizados e que precisam de necessidades especiais, de apoio especializado ou de apoio educativo.

"É um absurdo estar-se a falar em 100 mil, é um número atirado para o ar", frisou a titular da pasta da Educação.

Para Maria de Lurdes Rodrigues, tudo o que se diga hoje "é pura precipitação", uma vez que as aulas apenas começam agora.

"Aquilo que nós sabemos é o esforço que o Ministério da Educação fez para responder melhor às necessidades dos alunos e das famílias", afirmou.

Maria de Lurdes Rodrigues salientou a aposta na formação de pessoal auxiliar, sustentando que "700 funcionários estão em formação para apoiar" as equipas de ensino especial.

Salientou ainda que o seu ministério fez um "esforço enorme" na sinalização das crianças, "para não confundir um aluno surdo com um aluno que tem dificuldades de aprendizagem", por exemplo.

JAP/SIM.

Noticas.rtp.pt


quinta-feira, junho 19, 2008

FMABC organiza Mutirão de Aprendizagem

Da Redação

A Faculdade de Medicina da Fundação do ABC realiza no próximo sábado (21), das 8h às 17h, o primeiro Mutirão das Dificuldades de Aprendizagem, que pretende receber pelo menos 300 interessados entre três e 20 anos de idade. A iniciativa é do Núcleo Especializado em Aprendizagem e podem participar pacientes de todo a região, apesar de o foco dos atendimentos estar direcionado prioritariamente às crianças e adolescentes de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Os interessados passarão inicialmente por consulta médica de triagem, a fim de verificar se o caso se enquadra como distúrbio de aprendizagem. O ideal é que os pacientes levem relatório da escola e que estejam acompanhados de pais ou familiares que conheçam o histórico escolar.

Além da triagem, cerca de 50 pacientes cadastrados em lista de espera no Núcleo de Aprendizagem serão convocados para o mutirão a fim de agilizar o atendimento. Serão oferecidas consultas nas áreas de neurologia, neuropsicologia, psicologia, fonoaudiologia e psicopedagogia. Os profissionais do serviço também farão palestras durante todo o dia sobre acompanhamento de jovens com dificuldades escolares. As apresentações serão direcionadas a pais, familiares e profissionais de educação e saúde.

O evento será realizado na FMABC, localizada na avenida Lauro Gomes, 2000, vila Sacadura Cabral, em Santo André. A atividade conta com apoio do laboratório farmacêutico Novartis e todos os atendimentos ocorrerão no Anexo 2, enquanto as palestras serão realizadas no Anexo 1 (Prédio Central).

Reporter Diário ABC
18 de junho de 2.008

sexta-feira, maio 30, 2008

Computador é treinado para "ler" imagens mentais de palavras

Por Maggie Fox

WASHINGTON (Reuters) - Pesquisadores norte-americanos estão conseguindo treinar um computador para "ler" a mente por meio do acompanhamento de imagens de atividade do cérebro quando as pessoas pensam em palavras específicas.

A equipe de cientistas espera que o estudo, publicado na revista Science, possa levar a um melhor entendimento de como e onde o cérebro armazena informação.

Isso poderia criar tratamentos melhores para desordens de linguagem e problemas de aprendizado, disse Tom Mitchell, do Departamento de Aprendizado de Máquinas da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, que ajudou a liderar o estudo.

"A questão que estamos tentando responder é uma que as pessoas têm há séculos: Como o cérebro organiza o conhecimento?", disse Mitchell em entrevista por telefone.

"Foi apenas nos últimos 10 a 15 anos que nós conseguimos ter um caminho para estudar essa questão."

A equipe de Mitchell usou imagens por ressonância magnética funcional, um tipo de exame cerebral que é capaz de exibir atividade mental em tempo real.

Os cientistas calibraram o computador com ajuda de nove voluntários que pensaram em 58 palavras diferentes, enquanto tinham a atividade de seus cérebros monitorada.

"Demos instruções para as pessoas em que dissemos para eles que mostraríamos palavras e quando elas vissem essas palavras deveriam pensar sobre suas propriedades", disse Mitchell.

Os cientistas criaram uma imagem "média" de uma palavra por meio da análise da atividade dos cérebros das nove pessoas enquanto elas pensavam nos 58 termos diferentes.

"Se eu lhe mostrar imagens do cérebro para duas palavras, a coisa principal que você pode perceber é que elas se parecem muito. Se você olhar para elas por algum tempo, pode acabar vendo algumas diferenças sutis", afirmou Mitchell.

A imagem "média" da palavra permitiu o treinamento do computador.

"Depois que treinamos com as 58 palavras, podemos dizer 'Agora há duas novas palavras que vocês não viram, aipo e avião"'. O computador então teve que escolher que imagem do cérebro correspondia a cada palavra. A máquina acabou conseguindo passar no teste, prevendo quando uma pessoa pensava em "aipo" e quando a palavra era "avião".

O próximo passo da pesquisa é estudar a atividade cerebral quando uma pessoa pensa em frases.

"Se eu digo "coelho" ou "coelho rápido", são idéias muito diferentes", disse Mitchell.

O cientistas afirmou ter ficado surpreso com a similaridade das imagens obtidas entre os nove voluntários, apesar do trabalho meticuloso. Para uma ressonância funcionar bem, um paciente tem que ficar sentado ou deitado imóvel por vários minutos.

"Pode ser difícil se concentrar", disse Mitchell. "Em algum momento no meio do processo o estômago pode roncar. E de repente o voluntário pode pensar 'Eu estou com fome... oops'. Não é um experimento controlável."

Reuters


quinta-feira, maio 29, 2008

Intoxicação de crianças por chumbo pode gerar comportamento violento na idade adulta

WASHINGTON (AFP) — Pela primeira vez, um estudo científico realizado durante cerca de trinta anos nos Estados Unidos demonstra uma ligação direta entre a intoxicação por chumbo entre as crianças e um comportamento violento, e até criminoso, na idade adulta.

A correlação entre uma intoxicação crônica por chumbo na infância e dificuldades de aprendizagem e adaptação social já foram provadas, mas segundo a equipe de pesquisadores da Universidade de Cincinnati (Ohio, norte) responsável por esse novo estudo, é a primeira vez que os efeitos do chumbo são avaliados na idade adulta.

O chumbo, encontrado nas pinturas antigas, nos revestimentos e encanamentos de água é nocivo, principalmente para o sistema nervoso.

Divulgado no jornal on-line PLos Medicine, o estudo da Universidade de Cincinnati foi realizado com 250 crianças de bairros pobres dessa cidade, onde as residências contêm altas taxas de chumbo.

Essas crianças foram acompanhadas durante cerca de trinta anos, do seu nascimento à idade adulta.

A presença de chumbo no sangue foi analisada regularmente desde a gravidez da mãe até a criança atingir os 6 anos e meio de idade. Os níveis de chumbo foram em seguida comparados aos processos judiciários desses indivíduos na idade adulta. Os dados foram considerados com base em outros critérios, que foram do quociente de inteligência da mãe ao nível econômico e social passando pela educação.

"Os pesquisadores descobriram que aqueles que tinham altas taxas de chumbo desde antes do nascimento e durante a infância foram presos mais vezes por crimes violentos que o restante da população de mais de 18 anos", indicou o doutor Kim Dietrich, professor de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Cincinnati e principal autor do estudo.

Mais de 55% das pessoas analisadas foram presas ao menos uma vez, das quais 28% por envolvimento com drogas. A correlação mais clara entre o nível de chumbo no sangue e a delinquência está nas prisões por atos violentos.

"As crianças dos bairros desfavorecidos são muito vulneráveis à exposição ao chumbo", constatou o doutor Dietrich.

"Mesmo que tenhamos feito grandes progressos reduzindo a presença do chumbo, nossas conclusões enviam uma mensagem clara que reduzir ainda mais a utilização de chumbo poderá ter um efeito importante e concreto na redução da criminalidade", acrescentou.


AFP

sábado, maio 05, 2007

Comprimidos em excesso

Encaminhar alunos ''com dificuldades'' aos consultórios médicos é cada vez mais comum, assim como o uso abusivo de remédios dentro e fora da escola. Tudo porque ainda há quem acredite que a criança que não aprende é doente

Roberta Bencini

Ao assumir a Secretaria de Educação do Distrito Federal, há quatro meses,Maria Helena Guimarães de Castro sabia que teria de combater os altos índices de repetência - 20% no Ensino Fundamental.Ela reuniu uma equipe de técnicos e pedagogos para investigar as causas dessa tragédia e ficou chocada com algumas justificativas. No lugar de avaliações pedagógicas, recebeu fichas clínicas. Grande parte das crianças é acusada pelos próprios professores de ser incapaz de aprender. "Só pode ser mais uma forma de exclusão", indigna- se Maria Helena. Não se trata de ignorar as doenças, de acordo com ela, mas de expor (e discutir) uma espécie de tradição nas salas de aula: encaminhar os estudantes "difíceis" para os consultórios médicos.

Levantamento realizado em 2006 pelo Instituto de Saúde, de São Paulo, mostrou que mais de 50% dos encaminhamentos que chegam à rede pública de saúde são, na verdade, reclamações de dificuldade de aprendizagem. "Essa questão deve ser resolvida na escola, não em consultórios e hospitais", afirma Sabrina Gasparetti Braga, psicóloga responsável pela pesquisa.

Há pelo menos duas décadas, a professora Cecília Collares e a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, ambas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirmam que professores e diretores adoram atribuir o fracasso escolar a questões de saúde."Nas décadas de 1970 e 80, era moda culpar a desnutrição e os distúrbios neurológicos pelos baixos índices de desempenho. Agora, esse preconceito ganhou novo verniz e passou a ser chamado de dislexia, transtorno de déficit de atenção e outras enfermidades", afirma Maria Aparecida." O estigma de ser tachado de incapaz é cruel e paralisa uma criança para o resto da vida. A culpa do fracasso escolar não pode ser mais atribuída a ela", completa Cecília.

Nos Estados Unidos, pesquisa realizada pelo jornal The New York Times revelou que em 2006 cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes tomaram pelo menos duas drogas psiquiátricas combinadas. Desse total, quase 300 mil tinham menos de 10 anos! O mesmo jornal publicou em abril um estudo que denuncia a existência de milhares de diagnósticos errados de depressão na população americana e, conseqüentemente, o uso indevido de medicação. No Brasil, a indicação de remédios para crianças que apresentam "problemas" na escola também é muito grande."Há casos relatados de crianças menores de 5 anos que estão tomando anfetaminas", afirma a psicopedagoga Maria Cristina Natel, de São Paulo.

Muitos médicos argumentam que a facilidade de acesso aos remédios se explica porque a medicina está evoluindo e consegue detectar novos transtornos - todos eles típicos da infância e da adolescência e agravados pelo ritmo frenético da vida atual."A ciência avançou, mas só uma pequena parcela da população tem acesso a tratamentos", afirma o psiquiatra Pedro Mattos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Para entender melhor a importância de saber interpretar corretamente o comportamento dos alunos, assim como as diferenças de desempenho de cada um, NOVA ESCOLA ouviu especialistas e responde, a seguir, a dez perguntas sobre o tema.

Vendas crescentes

A comercialização do metilfenidato, uma substância presente nos principais remédios para tratamento de déficit de atenção e hiperatividade, aumenta cada vez mais

INFOGRÁFICO RUBENS PAIVA

Fontes: * Instituto Suíço de Pesquisa de Medicamentos / **Agência Nacional de Vigilância Sanitária

1. Como distinguir uma inquietude natural de um transtorno psíquico?

Na infância, todos gostam de brincar, correr, pular, gritar. Alguns também xingam, fazem birra, não respeitam as pessoas e são indisciplinados.Ainda que não desejáveis, esses comportamentos são normais. O limite entre a normalidade e a doença está na freqüência dessas atitudes. É preciso observar e acompanhar a vida do estudante por pelo menos seis meses para fazer um diagnóstico. Fatos traumáticos, como a separação dos pais ou a morte de um ente querido, podem gerar mudanças importantes, ainda que temporárias. O transtorno só se manifesta mesmo quando esse hábito passa a atrapalhar os relacionamentos e o desenvolvimento escolar. Só um profissional de saúde tem condições de fazer essa avaliação.

2. Quem precisa de remédio? Como eles agem no cérebro?

Muitas crianças têm dificuldade de aprendizagem, mas pouquíssimas têm déficit de aprendizagem, uma síndrome que não precisa necessariamente do uso de medicamentos.Nos casos mais graves, as anfetaminas são os remédios mais recomendados para diminuir a falta de atenção e a agitação (veja o infográfico abaixo).As anfetaminas agem em uma área muito delicada, o sistema nervoso central, e de maneira semelhante à cocaína, aumentam a atividade cerebral. Após a estimulação, a produção dos neurotransmissores cai e a sensação de bem-estar vai embora. "O organismo cobra a conta pelo gasto excessivo e fora do normal dessas substâncias", explica o neurologista Vicente José Assêncio-Ferreira, da Universidade de Taubaté.

3. Os medicamentos estimulantes podem viciar?

Sim. Alguns médicos afirmam que as chances são mínimas e estão relacionadas ao uso indevido dos medicamentos. Outros acreditam que os estudos sobre o efeito deles ainda não são conclusivos e que é comum encontrar jovens que caem em depressão com a suspensão do tratamento. O metilfenidato - um dos estimulantes mais receitados nos consultórios, com vários nomes comerciais, sendo Ritalina o mais conhecido - tem, como todo medicamento, efeitos colaterais. Os mais comuns são dor de cabeça, dores abdominais, insônia, falta de apetite, pele opaca e prostração. Por isso, toda família tem a obrigação de avisar a escola caso a criança tome qualquer tipo de estimulante ou antidepressivo para que o professor possa acompanhar corretamente o tratamento. E você deve observar muito seu aluno antes de achar que os remédios são a solução para o menino que não se comporta do jeito esperado.

4. Algum remédio é capaz de melhorar o desempenho escolar?

Os remédios não são a salvação para todos os males da vida moderna. E não há medicamento que possa substituir um bom professor. Em casos extremos, como autismo, transtorno bipolar, dislexia, depressão e outros transtornos, os remédios melhoram a capacidade de manter a atenção, o que se traduz em ganhos no rendimento escolar. "O problema é que todos os alunos que fogem a um determinado padrão de normalidade estão sendo medicados para não incomodar e atender à expectativa de pais e professores", afirma Vicente José Assêncio-Ferreira.

5. Criança que não pára quieta é hiperativa? Como lidar com ela?

Ana Maria Fernandes, Juazeiro, BA

Não, nem todos os agitados têm algum tipo de doença. Eles podem ser assim mesmo ou estar passando por algum momento difícil. Os principais sintomas da hiperatividade são esquecer objetos com muita freqüência, falar excessivamente, distrair-se com facilidade e ter extrema dificuldade de organização.

Muitas vezes, o problema é associado ao transtorno de déficit de atenção (e, nesse caso, é conhecido como TDAH). No dia-a-dia da sala de aula, cabe a você, professor, contemplar todos, inclusive os muito agitados. Especialistas sugerem colocar os mais ativos perto de você, dar a eles constantes estímulos e atividades diferenciadas capazes de explorar todos os sentidos e nunca promover tarefas extremamente longas. Outros conselhos úteis são avaliar e revisar as atividades propostas para essas crianças com mais freqüência, fixar-se mais nas intervenções pedagógicas necessárias ao desenvolvimento cognitivo (e menos nas questões de comportamento) e dar mais retorno a elas sobre suas conquistas.

6. A variação de humor pode ser considerada uma doença?

Todos os que passam por períodos de estresse intenso podem apresentar mudanças de comportamento, como a variação de humor. Ela é percebida com mais freqüência entre os adolescentes.Mas isso não torna imperativo tratar a questão com remédios. É comum imaginar que eles sofrem de transtorno bipolar. Nesse caso, a doença vem sempre associada a outros sintomas, como a manias e à alternância de momentos de depressão e euforia.

7. Quais são os sintomas do TDA? Ele tem cura?

O principal sintoma é a falta de atenção.A pessoa parece não ouvir ninguém e fica excessivamente inquieta e impulsiva. "O cérebro recebe todos os estímulos do ambiente, mas é incapaz de focar em apenas um", explica Luiz Celso Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo. Por ser uma síndrome de origem genética, se estende por toda a vida e, portanto, não tem cura.Na maioria dos casos, o atendimento psicológico e o apoio da família e da escola são suficientes para atender às necessidades dos que sofrem de TDA.

8. Crianças na pré-escola podem apresentar TDAH?

Sim. O transtorno de déficit de atenção e a hiperatividade são distúrbios que podem surgir nos primeiros anos de vida, mas a maioria dos diagnósticos só é feita a partir dos 7 anos.Nunca é demais lembrar que cada criança é única e seu desenvolvimento depende dos estímulos recebidos. Pais agitados geralmente têm filhos agitados, assim como os mais imaginativos se desconcentram com mais facilidade - e nem por isso são doentes.

9. É verdade que os hiperativos são superdotados?

Não há nenhuma ligação entre hiperatividade e superdotação. Só que os que estão muito acima (ou abaixo) da média da classe costumam se desinteressar pelas atividades propostas. E isso, é claro, só pode ser resolvido com tarefas mais instigantes. Os superdotados costumam acabar as tarefas antes da turma e se dispersam ou incomodam os colegas que ainda não terminaram a lição (comportamento que muitos confundem com hiperatividade).

10. Como são feitos os diagnósticos de déficit de aprendizagem?

A maioria dos diagnósticos é feita com base nos sintomas clínicos relatados por professores e pais e interpretados por um pediatra, neurologista, psiquiatra ou psicólogo. "Quase sempre, essa análise diagnóstica é subjetiva e superficial.Muitos são encaminhados ao serviço de saúde já com a intenção de achar uma doença que justifique dificuldade de aprendizagem e a falta de autoridade e paciência dos pais", afirma Maria Aparecida Affonso Moysés, da Unicamp. Estudo realizado pela Universidade Federal de Uberlândia mostra que os psicólogos que atuam nos ambulatórios públicos não investigam as causas do problema de maneira correta."Parte-se do princípio de que a culpa é da criança e não da escola. E assim não se analisa o relacionamento do aluno com os colegas e professores", diz Viviane Marçal, pesquisadora responsável pelo trabalho.

Atenção artificial

Após a ingestão, o medicamento atua no lóbulo frontal e no tronco cerebral, áreas responsáveis pela capacidade de motivação e concentração. Assim, a criança fica mais ligada na aula

INFOGRÁFICO RUBENS PAIVA / CONSULTORIA LUIZ IRIA
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DA EUFORIA À DEPRESSÃO
Quando acaba o efeito do remédio, há queda na produção dos neurotransmissores e, com isso, a criança pode sentir depressão ou ficar prostrada. Esse efeito colateral acontece após cada dose da medicação ou no fim de um tratamento.

Respeito aos limites

MARCELO ALMEIDA
Objetivo comum: Gabriela conta com o apoio da mãe, Cristina (à esq.), e da diretora da escola, Mariza, para viver sem remédios

Gabriela Mukai, 11 anos, era uma potencial usuária de medicamentos como a Ritalina. Sempre foi considerada desatenta e lenta, faz psicoterapia desde pequena e, aos 9 anos, recebeu o diagnóstico de |TDAH e dislexia. Mas a família, a escola e a psicóloga encontraram uma alternativa mais adequada ao caso dela: atenção, respeito aos limites e acompanhamento constante. "Fiquei perdida quando um neurologista receitou remédio para minha filha. Hoje tenho consciência de que acertei em procurar outro caminho", conta a mãe, Maria Cristina Montes Mukai. Apesar do estigma, Gabriela nunca foi reprovada, acompanha a turma - no seu ritmo - e pratica esportes para gastar energia. Boa parte do sucesso do tratamento se deve à equipe do Colégio Integral, em Curitiba, onde a menina estuda há dois anos. A direção apoiou totalmente a opção da família em não medicá-la e atua junto com a psicopedagoga da aluna, Isabel Parolin. "Não há remédio que substitua um bom professor. Quem não entende que o mundo está agitado e que as crianças são o reflexo desse ritmo opta pela medicação", diz Isabel. Cursando a 6a série, Gabriela conta com a atenção dos professores e pode realizar tarefas e provas com mais tempo do que o restante da turma. "Sempre busco informações sobre as doenças para que a escola se adapte às necessidades dos alunos e não o contrário", afirma a diretora, Mariza Pan.



Revista Nova Escola

Edição 202 maio/2007

domingo, maio 21, 2006

Lista de verificação de dificuldades de aprendizagem

Lista de verificação
baseada na Escala de Comportamento Escolar (Correia, 1983)

Conjunto de sinais que podem ser indicadores de Dificuldades de Aprendizagem

O indivíduo tem problemas em:


Organização

( ) Conhecer as horas, os dias da semana, os meses e o ano
( ) Gerir o tempo
( ) Completar tarefas
( ) Encontrar objetos pessoais
( ) Executar planos
( ) Tomar decisões
( ) Estabelecer prioridades
( ) Sequencialização

Coordenação motora

( ) Manipular objetos pequenos
( ) Desenvolver aptidões de independência pessoal
( ) Cortar
( ) Estar atento ao que o rodeia (muito dado a acidentes/tropeça com frequência)
( ) Desenhar
( ) Escrever
( ) Subir e correr
( ) Desportos

Linguagem falada ou escrita

( ) Aquisição da fala
( ) Articular
( ) Aprender vocabulário novo
( ) Encontrar as palavras certas
( ) Rimar palavras
( ) Diferenciar palavras simples
( ) Leitura e/ou escrita (comete erros frequentes tal como reversões (b/d), inversões (m/w), transposições (ato/ota) e substituições (carro/cama)
( ) Seguir instruções
( ) Compreender ordens
( ) Contar histórias
( ) Discriminar sons
( ) Responder a perguntas
( ) Compreender conceitos
( ) Compreensão da leitura
( ) Soletrar
( ) Escrever histórias e textos

Atenção e concentração

( ) Completar tarefas
( ) Agir depois de pensar
( ) Esperar
( ) Relaxar
( ) Manter-se atento (sonhar acordado)
( ) Distração

Memória

( ) Recordar instruções
( ) Recordar fatos
( ) Aprender conceitos matemáticos
( ) Reter matérias novas
( ) Aprender o alfabeto
( ) Transpor sequências numéricas
( ) Identificar sinais aritméticos (+ , – , x , : , =)
( ) Identificar letras
( ) Recordar nomes
( ) Recordar eventos
( ) Estudar para os testes

Comportamento social

( ) Iniciar e manter amizades
( ) Julgar situações sociais
( ) Impulsividade
( ) Tolerância à frustração
( ) Interações
( ) Aceitar mudanças nas rotinas diárias
( ) Interpretar sinais não verbais
( ) Trabalhar em cooperação


Nota: Esta lista de verificação pretende ser um guia para pais e profissionais. Não deverá ser utilizada isoladamente, mas poderá constituir uma via para que eles possam vir a considerar uma avaliação mais exaustiva. Todas as crianças exibem um ou mais destes comportamentos, de tempos a tempos, ao longo da sua infância pelo que se chama a atenção para o fato de que não se devem tirar ilações com base na aplicação desta lista por si só. Contudo, a exibição frequente de um grupo destes comportamentos pode ser considerada como um indicador para a procura de uma consulta, ou para a efetuação de observações ou avaliações posteriores.



FONTE:
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Luís de Miranda Correia
Ana Paula Martins

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