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segunda-feira, janeiro 27, 2014

Software educacional criado na UnB será distribuído em todo o país

Ministério da Educação quer disponibilizar o Projeto Participar, voltado à inclusão de portadores de deficiência intelectual, para 93 mil escolas públicas

A partir de março de 2014, os professores da rede pública terão um novo aliado na educação de jovens e adultos com dificuldades de aprendizagem decorrente de deficiências como o autismo e Síndrome de Down. O Ministério da Educação (MEC) quer levar o projeto pioneiro Participar, software criado por estudantes do curso de Licenciatura em Computação da Universidade de Brasília (UnB), para 93 mil escolas públicas.

A plataforma educacional, que pode ser baixada gratuitamente aqui, foi desenvolvida para auxiliar na alfabetização, inclusão digital e exercício da cidadania de portadores de necessidades especiais. Traz aos usuários atividades com recursos visuais e sonoros e já vem sendo utilizada em 650 escolas públicas do Distrito Federal, além de unidades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) em todo o Brasil. 
 
Além do software Participar, que já se encontra em sua segunda versão, o Ministério da Educação quer disponibilizar ainda outros dois programas criados na UnB: a plataforma Somar, para ensino de matemática aplicada ao cotidiano de portadores de deficiência intelectual, e Aproximar, para apoio educacional ao ensino de gestos sociais a autistas clássicos. “Essas três ferramentas educacionais foram testadas, em caso real de uso, em escolas públicas e estarão disponíveis para uso gratuitamente no portal do MEC”, conta o professor Wilson Veneziano, responsável pelos projetos e orientação dos estudantes envolvidos na criação dos programas.

De acordo com ele, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, determinou ainda que o MEC, junto com a Universidade de Brasília, produza vídeoaulas para a capacitação de professores da rede pública. “[O vídeo] mostrará um passo a passo de como utilizar os softwares na prática pedagógica”, explica Wilson.

A iniciativa vem ao encontro do movimento pela educação inclusiva, impulsionada pela Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), adotada pelo Brasil em 2007. Dados do último Censo Escolar realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que de 2005 a 2011 houve um crescimento no número de matrículas de jovens com alguma necessidade especial em escolas regulares. 
 
FONTE: UnB

quinta-feira, setembro 27, 2012

Pernambucanos criam tradutor em tempo real do português para Libras

do G1

Projeto foi vice-campeão das Olimpíadas mundiais de computação, em NY.
Software foi desenvolvido para melhorar a acessibilidade dos surdos.

Imagine um surdo usando um telefone celular? Ou melhor: ter, no seu smartphone, um tradutor de português, em tempo real, para a Língua Brasileira de Sinais (Libras)? Interpretado por um personagem animado em 3D, o ProDeaf é uma plataforma de comunicação criada por uma empresa pernambucana com o objetivo de facilitar as dificuldades enfrentadas por quem tem necessidades auditivas especiais.

O que poucos sabem é que as línguas de sinais não são meramente intuitivas, nem partem de sinais de mímica. Elas possuem códigos com o mesmo nível de abstração dos idiomas, com sintaxe e regras gramaticais próprias. "Um surdo não entende tudo diretamente do português, mesmo se estiver lendo. É diferente a tradução de Libras para o português. Por exemplo, a frase 'eu vou para a praia' escrita em português fica 'eu praia ir'. As preposições são cortadas e o verbo só existe no infinitivo quando traduzimos para Libras", explica Lucas Mello, cientista da computação e um dos idealizadores do projeto de acessibilidade.

A ideia dele surgiu durante a observação de um episódio envolvendo um surdo durante uma viagem. “Em 2010, eu estava passando um tempo em Vancouver, no Canadá. E vi um surdo chegando na universidade e pedindo informações a um ouvinte, que não entendeu nada. Ele saiu de lá sem consegui se comunicar. Fiquei pensando naquilo, entrei no metrô, abri o meu caderno e fiquei imaginando em como a tecnologia poderia ajudar essa pessoas. Essa foi a primeira ideia do protótipo do sistema”.

Segundo Mello, o software que realiza traduções, em tempo real, do som falado para língua de sinais hoje tem atraído empresas de todos os portes. O projeto, atualmente, tem o foco voltado para traduzir textos do português para as Libras. "Nos sites, por exemplo, o surdo vai poder selecionar a parte não compreendida do texto numa janela. Então, um avatar vai traduzir em Libras a parte que ele não entender do texto", afirma Mello.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), em 2010, a deficiência auditiva atinge 9,7 milhões de pessoas (5,1%) da população do Brasil, sendo que a deficiência auditiva severa (pessoas com grande dificuldade ou incapazes de ouvir) foi declarada por 2,1 milhões de pessoas, das quais 344,2 mil eram surdas (0,2%).

Os idealizadores e executores do projeto foram vice-campeões das Olimpíadas mundiais de computação realizadas em 2011, em Nova Iorque, a maior competição de tecnologia do mundo promovida pela Microsoft. Além disso, o ProDeaf já foi campeão nacional do prêmio Ciab, da Federação Brasileira de Bancos (Fenabran), premiado no “Partner of the Year Awards 2012”, no Canadá, como parceira da Microsoft na área de cidadania, e campeão do prêmio da Wayra Contest, na Campus Party Recife 2012.

O sistema desenvolvido por Mello e pela empresa pernambucana Proativa – Soluções em Tecnologia também capta, de uma câmera instalada no celular ou smartphone, os movimentos produzidos por quem se comunica por meio de Libras. Do outro lado do telefone, é possível ouvir a tradução feita pelo software. Esta fase do projeto ainda não está totalmente pronta. Mas em breve e após a aprovação do financiamento de alguns clientes, deve entrar em cena, ajudando ainda mais as pessoas portadoras de deficiência auditiva. Atualmente, a empresa já conta com 12 profissionais focados nas pesquisas de acessibilidade.

sexta-feira, junho 29, 2012

Alfabetização mais fácil para Crianças Especiais

do Todos pela Educação
Fonte: Diário de Pernambuco (PE)

Professora universitária lançou o Downex, uma plataforma interativa que usa imagens e sons do cotidiano infantil para estimular o aprendizado

Identificar objetos de casa, animais e brinquedos pelos seus próprios nomes, uma etapa simples para a maioria das crianças, pode se tornar um obstáculo na Alfabetização quando há um diagnóstico de síndrome de Down ou hiperatividade, por exemplo. Pensando nisso, uma Professora universitária pernambucana desenvolveu um software que incentiva a associação de grafias e sons a imagens do cotidiano infantil. O Downex, que está disponível na internet, visa acelerar o reconhecimento de palavras mesmo por parte de jovens especiais e pode se tornar um importante aliado de pais e Professores no processo de Alfabetização.

De acordo com a idealizadora do projeto, Ameliara Freire, a iniciativa surgiu ainda quando ela fazia curso de graduação, fruto de dificuldades encontradas em sua vida pessoal. “Meu irmão, hoje com 25 anos, tem a síndrome de Down e a parte de Alfabetização sempre foi um problema em seu desenvolvimento. A ideia surgiu justamente para pensar em uma forma de facilitar esse aprendizado”, explica. O programa teve um projeto inicial quando Ameliara ainda estava na graduação do curso de sistemas de informação, em 2006, e tomou moldes de produto aplicável em um tratamento pedagógico neste ano, como parte da conclusão de seu projeto de mestrado.

Simples e com uma interface colorida, o Downex foi concebido para manuseio por parte da criança junto a um adulto responsável. Após escolhida uma das letras do alfabeto (ainda com 23 caracteres, sem a incorporação de k, y ou w), a criança é levada a uma tela em que deve identificar imagens e palavras que tenham início com a respectiva escolha. Além de cores, o Aluno ainda tem o recurso sonoro que identifica cada figura, facilitando a associação ao vocábulo. “É uma ferramenta fantástica. Conseguimos fixar a atenção mesmo em pacientes hiperativos e automatizar conhecimentos relacionados às letras trabalhadas. Além disso, o exercício contínuo com o mouse facilita o desenvolvimento da coordenação motora, muito relevante nestes casos”, afirmou a fonoaudióloga Andressa Viana, uma das primeiras profissionais de saúde a realizar testes com pacientes de Down utilizando o software.

Segundo Ameliara Freire, o projeto teve contribuições indiretas de diversos profissionais de Educação até chegar no modelo que será apresentado ao público. O número de imagens é restrito e uniforme, para evitar dispersão, e todas as palavras são escritas em caixa alta, para facilitar a diferenciação das letras. A avaliação é feita por meio de incentivos, utilizando termos como “parabéns” e “tente novamente”, em vez de restringir os resultados a erros e acertos. No site também serão criados perfis para Professores e administradores, de forma que relatórios dos usuários possam ser acessados e comparados, permitindo uma melhor avaliação de seu progresso. “A aceitação por parte da criança é boa porque a atividade se apresenta de forma divertida. Mas essa ação não substitui Professor ou aprendizado tradicional. É apenas uma forma de permitir um acompanhamento contínuo que acelere essa formação intelectual, em casa ou na Escola”, finaliza.

Opinião: A escola e o respeito às diferenças

Relembrando a experiência como Aluno da Rede Pública de Ensino, pensei em compartilhar tais lembranças que me remeteram a uma Escola que nunca foi inclusiva, ou seja, nunca respeitou as diferenças, mas foi sempre muito boa em deixá-las claras para saber como lidar com as mesmas. Entre outros fatos, lembrei-me das turmas divididas em ordem alfabética de acordo com o “potencial de cada Aluno”. Encontravam-se nas turmas “A” apenas os Alunos que nunca foram reprovados, enquanto nas turmas “B”, “C”, “D” e “E” aqueles os que não atingiram as metas estabelecidas exatamente nesta ordem de desmotivação. Muitas vezes ouvi de Professores: “Aquela turma “E” é um terror!”. Seria para separar o joio do trigo? Além disso, dentro das salas de aula era sempre lembrado quem era o Professor, detentor dos conhecimentos e da moral, e quem eram, para eles, os Alunos - vazios do conhecimento em suas mentes e com o dever da obediência à moral particular do Professor.

Quantas vezes também ouvi de Professores: “Eu já sei de tudo isso e tenho minha vida feita, mas se vocês não quiserem aprender saiam da sala, pois eu não perco nada com isso, no fim do mês meu salário será o mesmo!” Mas, não seria função de um Professor estimular o educando a ter interesse pelo aprendizado fortalecendo aquilo que ele, o educando, já sabe e dessa forma aprender com ele nesta construção coletiva de novos conhecimentos? E sobre a avaliação: quantas vezes os “Alunos” tiveram acesso à forma como eram avaliados nos temidos conselhos de classe?

Quantas vezes tivemos espaço para avaliar os Professores, a direção, enfim, a Escola? Quantas vezes participamos, de alguma forma, da elaboração da Proposta Político Pedagógica da Escola? Quem de nós Alunos sabia o que era essa tal de PPP? Quantas vezes opinamos pela escolha de algum esporte ou mesmo de outras atividades? Incrível como a Escola não observava os talentos que se mostravam em tantos Alunos de diversas formas que não eram a escrita, a leitura ou a capacidade de decorar questionários.

Será que se ela tivesse um olhar mais ampliado para estes talentos fora dos padrões pré-estabelecidos alguns de meus amigos ainda estariam vivos e outros livres? Não sei. Mas, porque a Professora dizia sempre: “Se você continuar com este comportamento vou chamar a diretora!”? Será que era porque ela, a diretora, tinha o poder de nos “suspender”, ou dependendo do caso, nos expulsar? Contavam-se histórias de Alunos expulsos que não conseguiam se matricular em Escola alguma porque estavam com má recomendação na ficha. Ficha suja? Será que isso era verdade, ou era uma forma de, através do medo, nos controlar? Muitos ficaram pelo caminho e não concluíram o Ensino médio, que era o tal 2° Grau da época, também conhecido como o final dos estudos. Alguém já ouviu a expressão: “E aí, Já terminou os estudos?” Será que a culpa dos que não concluíram o Ensino médio foi deles ou de uma Escola despreparada para lhe dar com as diferenças?

Uma Escola como a descrita acima, onde a resposta a todas as questões é negativa, pode ser chamada de Escola inclusiva ou testou a nossa capacidade de adaptação e submissão a ordem imposta por meio do medo de um futuro incerto? Ficam estas e outras questões para uma avaliação da Escola que temos hoje e o planejamento da que queremos futuramente.

O endereço do Downex é www.downex.com.br.

segunda-feira, abril 23, 2012

Software melhora leitura e escrita de criança disléxica

Edimilson Montalti

Fonoaudióloga desenvolve programa que pode ser usado em qualquer computador

Pesquisa realizada pela fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado Azoni no laboratório de Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre), da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, resultou no desenvolvimento do Programa de Remediação Fonológica (Prefon) para melhorar o desempenho da leitura e escrita em crianças com dislexia.

Trata-se de um software utilizado como ferramenta de comunicação que funciona em qualquer computador. Os resultados foram tão positivos, conforme descritos na tese de doutorado “Programa de remediação fonológica, de leitura e escrita em crianças com dislexia do desenvolvimento”, que Cintia solicitou à Agência de Inovação Inova Unicamp a proteção da tecnologia por meio de registro de programa de computador. A tese foi orientada pela neuropsicóloga e coordenadora do Disapre, Sylvia Maria Ciasca.

As queixas de dificuldades de aprendizagem são comuns na infância e adolescência e motivam grande parte dos encaminhamentos por professores aos profissionais da saúde, com objetivo de avaliação, diagnóstico e intervenção. Em 1968, a World Federation of Neurology utilizou o termo dislexia do desenvolvimento para definir um transtorno manifesto por dificuldades na aprendizagem da leitura, apesar da instrução convencional, inteligência adequada e oportunidade sociocultural.

O comprometimento da aprendizagem em crianças com dislexia relaciona-se principalmente a alterações de linguagem decorrentes de déficits no processamento da informação fonológica, acarretando atraso na aquisição e desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. Assim, a criança com dislexia encontrará dificuldade, principalmente na escola, onde permanece boa parte de seu tempo.

As principais características observadas nestas crianças são: dificuldades na velocidade de nomeação de material verbal e memória fonológica de trabalho; dificuldades em provas de consciência fonológica (rima, segmentação e transposição fonêmicas); nível de leitura abaixo do esperado para idade e nível de escolaridade; escrita com trocas fonológicas e ortográficas; bom desempenho em raciocínio aritmético; nível intelectual na média ou acima da média; déficits neuropsicológicos em funções perceptuais, memória, atenção sustentada visual e funções executivas.

O Prefon traz estratégias de linguagem nas quais a criança com dislexia tem maior dificuldade como, por exemplo, a rima. Por ser o computador um atrativo motivador, foi feita uma parceria com alunos de mestrado do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp para o desenvolvimento dos paradigmas das atividades por meio de jogos para manter a atenção e o desempenho da criança.

Participaram deste estudo 62 crianças, divididas em três grupos. O primeiro, com 17 crianças com dislexia, foi submetido ao programa de remediação. O segundo grupo de crianças, também com dislexia, não foi submetido ao Prefon. O terceiro, denominado de controle, foi composto por 31 crianças sem dificuldades de aprendizagem. As crianças do primeiro grupo passaram pelas etapas de pré-testagem, treino e pós-testagem. O programa de remediação foi realizado em 20 sessões.

A avaliação mostrou melhora significativa no tempo de nomeação automática rápida, em consciência fonológica, na velocidade de leitura e habilidades de escrita. Muitos pais também relataram aumento do interesse dos filhos pela leitura, que antes não existia.
“O software tem atividades que podem ser utilizadas com uso de palavras do contexto cultural da criança. Pretendo fazer outras versões do programa para professores e pedagogos”, disse Cíntia. Segundo a fonoaudióloga, há também possibilidade do programa ser disponibilizado online na internet. O foco é a inclusão digital.

Segundo o neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima, os disléxicos apresentam também dificuldades em outras habilidades cognitivas, como a atenção e funções executivas. A atenção, segundo Ricardo, é a capacidade do indivíduo em selecionar no ambiente interno ou externo o que é mais relevante.

As funções executivas se referem a um conceito multidimensional que envolve as habilidades cognitivas de áreas frontais do cérebro, como controle inibitório, flexibilidade mental, planejamento e uso de estratégias. Elas são ativadas quando o indivíduo tem que realizar qualquer atividade com um objetivo, como por exemplo, montar um quebra-cabeça.

Lima é autor de dissertação, apresentada no ano passado, que revela que crianças com dislexia são mais propensas a ter depressão. O estudo avaliou 61 crianças com idade entre 7 e 14 anos, dividas em dois grupos: um com diagnóstico de dislexia e outro sem dificuldades de aprendizagem.

“As crianças com dislexia relataram maior frequência de sintomas depressivos que crianças sem dificuldades, como avaliação negativa do próprio desempenho, sentimentos de culpa, ideação suicida, sentimentos de preocupação, dificuldades para dormir, problemas nas interações sociais na escola e comparação de seu desempenho com o de seus pares”, disse Ricardo.

Referência, Disapre promove forum

De 2006 a 2009, foram encaminhadas por ano 2.300 crianças com queixas de dificuldades de aprendizagem ao laboratório de Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Desse total, apenas 1,7% foi diagnosticada com os quadros de dislexia do desenvolvimento ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O primeiro relato de TDAH ocorreu no século XIX, descrito pelo médico inglês Still. O TDAH manifesta-se por alterações na atenção e no comportamento (hiperatividade e impulsividade) que não são explicadas por outros transtornos ou problemas psicossociais em crianças.

Segundo Sylvia Maria Ciasca, casos de dislexia e TDAH são raros e o diagnóstico não é simples. No Disapre, a criança ou adolescente passa por avaliações neuropsicológica, neurológica, psiquiátrica, psicopedagógica, fonoaudiológica e psicomotora. Além disso, são obtidas informações com a família e contato com a escola para levantar dados relevantes sobre o desenvolvimento escolar da criança. Com um diagnóstico bem feito, a equipe indica as melhores formas de intervenções terapêuticas e tratamento.

“Nós recebemos um grande número de crianças com diagnósticos falso-positivos a partir de questionários respondidos por pais e/ou professores. O diagnóstico deve ser feito por uma equipe interdisciplinar e não em 15 minutos de consulta. No caso do TDAH, somente depois de muitas avaliações é que chegamos à conclusão sobre o melhor procedimento interventivo, geralmente psicoterapêutico, medicamentoso e apoio educacional. Somente a medicação não garantirá a eficácia terapêutica”, alertou Sylvia.

No dia 12 de abril, no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, acontece o fórum “Dislexia e TDAH: Evidências científicas”. O evento será realizado pelo Disapre e conta com o apoio e participação de representantes das Associações Brasileiras de Psiquiatria, de Dislexia, de Neurologia e Psiquiatria Infantil, de Psicopedagogia, do Déficit de Atenção e Sociedades Brasileiras de Fonoaudiologia, de Pediatria, de Neuropsicologia e de Neurologia Infantil. Além disso, estarão presentes representantes de instituições e serviços públicos que mantêm atendimentos às crianças e adolescentes com dislexia e TDAH.

De acordo com Sylvia, na atualidade torna-se cada vez mais importante a discussão a respeito destes temas. O TDAH é um transtorno neuropsiquiátrico causado por uma falha de neurotransmissão em determinadas áreas cerebrais. Em 2011, mais de 1.300 trabalhos científicos foram publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais. O TDAH é um quadro grave que evolui em 80% dos casos para a idade adulta. Porém, quando bem diagnosticado, a intervenção garante a melhora na qualidade de vida destes indivíduos.
“O diagnóstico cumpre função específica e não deve ser classificatório ou estigmatizante. Serve para direcionar qual tipo de intervenção a ser feita, evitando até outros comprometimentos que essa criança possa vir a ter e levar para a fase adulta, como a depressão”, explicou Ricardo.

O objetivo principal do Fórum será reunir especialistas de renome para buscar instrumentos mais fidedignos de diagnóstico, tratamento e intervenção, visando, principalmente, revisar a formação de profissionais que lidam com os problemas.

“TDAH e dislexia são transtornos. Há excesso de medicalização em razão de diagnósticos incorretos. No entanto, toda a moeda tem duas faces e elas precisam ser vistas. A maioria das crianças atendidas no Disapre, por exemplo, tem dificuldade escolar e isto é um problema pedagógico e não neuropsiquiátrico”, reforçou Sylvia.
 
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Publicação
Tese: “Programa de remediação fonológica, de leitura e escrita em crianças com dislexia do desenvolvimento”
Autora: Cintia Alves Salgado Azoni
Orientadora: Sylvia Maria Ciasca
Unidade: Faculdade de Ciências Médicas (FCM)

quarta-feira, maio 13, 2009

Novo «software» ajuda crianças disléxicas

Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 desenvolve aplicação informática interactiva com ajuda da Microsoft

Redacção / AR

A Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21/Diferenças) e o gigante da informática Microsoft decidiram juntar esforços para desenvolver uma aplicação informática que possa apoiar crianças com dislexia. As duas entidades assinam na sexta-feira um protocolo com o objectivo de desenvolver um software para ajudar as crianças que têm dificuldades na aprendizagem e na automatização da leitura e da escrita.

O software interactivo «Reino dos Fonemas» foi desenvolvido com o apoio de técnicos da APPT21 e pretende marcar a diferença no processo de aprendizagem de crianças disléxicas. O protocolo com a Microsoft é assinado no dia 15 de Maio, em Lisboa, durante uma conferência sobre a Dislexia, que se realiza no Fórum Lisboa.

Dar a conhecer o que de mais moderno se faz ao nível da investigação informática na área da Dislexia é um dos grandes propósitos da conferência, organizada pelo Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças. Pais, professores do Ensino Especial e Regular, educadores de infância, psicólogos, técnicos de reabilitação e terapeutas da fala vão dedicar uma boa parte do programa a discutir os novos conhecimentos e avanços relacionados com aquela perturbação no desenvolvimento

IOL DIÁRIO - Pt

quinta-feira, junho 12, 2008

Avô elabora navegador para neto autista

BRIAN BERGSTEIN
da Associated Press

John LeSieur atua na área de softwares, de forma que lhe chamou a atenção o fato de os computadores parecerem não ter utilidade nenhuma para seu neto de seis anos de idade, Zackary. O garoto sofre de autismo, e o grande número de opções oferecido pelos PCs confundiam-no de tal forma que Zackary, frustrado, costumava atirar o mouse longe.

LeSieur tentou encontrar ferramentas on-line que poderiam guiar uma criança autista na internet, mas não encontrou nada que fosse satisfatório. Então criou um programa que, em homenagem ao neto, chamou de Browser Zac para Crianças Autistas. Agora, o software pode ser obtido gratuitamente por qualquer interessado (www.zacbrowser.com).

O Browser Zac simplifica a tarefa de usar um computador. Ele bloqueia o carregamento de vários sites, impedindo o acesso a materiais violentos, de conteúdo sexual ou qualquer outro tipo dirigido apenas a adultos. E apresenta um número limitado de sites gratuitos e públicos, com ênfase em jogos educacionais, músicas, vídeos e imagens divertidas, como a de um aquário virtual.

Outros programas para crianças já possibilitam ingressar na internet de forma protegida. O browser de LeSieur, porém, assume o comando do computador e reduz a quantidade de controles disponíveis --para crianças como Zackary, um número excessivo de opções pode ser estressante.

Ele desliga, por exemplo, a tecla Print Screen e o botão direito do mouse. Isso elimina comandos dos quais as crianças não precisarão e reduz a chance de que um menino autista perca confiança após clicar em algo que o atrapalharia.

Ao utilizarem o navegador de LeSieur, as crianças selecionam as atividades clicando em ícones maiores que os normais, como uma bola de futebol para jogos e uma pilha de livros para histórias. O Browser Zac também configura a tela para barrar propagandas e outros tipos de distração que eventualmente surgiriam diante do usuário.

Resultados

O autismo costuma prejudicar a capacidade de comunicação do doente, e Zackary não fala muito. Mas a mãe dele, Emmanuelle Villeneuve, contou que o garoto consegue abrir o Browser Zac sozinho. Ele gosta de ouvir música por meio do programa e tentar solucionar alguns quebra-cabeças.

Zackary continua a agir de forma agressiva contra a TV, mas não tenta mais quebrar o computador.

LeSieur não criou o browser consultando pessoas consideradas especialistas nos vários tipos de autismo. A pequena empresa de software que ele dirige, a People CD, fez o Browser Zac, basicamente, para atender às necessidades de Zackary e concluiu que tal instrumento talvez ajudasse outras crianças autistas.

As primeiras avaliações sobre o software foram positivas. Agora LeSieur pretende adaptar o programa a fim de que os pais possam sugerir o acréscimo de novos conteúdos.

Folha OnLine


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